Inteligência Artificial (IA): Apesar da crescente adoção da IA no ambiente corporativo, muitos líderes ainda carecem de conhecimento para tomar decisões informadas sobre seu uso. Uma pesquisa global realizada pela University of Melbourne em parceria com a KPMG, envolvendo mais de 48 mil entrevistados em 47 países, revelou que 66% das pessoas já utilizam IA no trabalho, mas apenas 46% confiam nessas tecnologias.
A falta de letramento em IA e seus impactos
Além disso, o estudo aponta que em economias avançadas, o índice de confiança na IA é ainda menor, atingindo apenas 39%. Para Aline Lefol, CEO e fundadora da IA2YOU, e Tiene Colins, estrategista e consultora de IA, essa discrepância demonstra um problema de gestão, onde a tecnologia é adotada sem o devido letramento por parte das lideranças.
A IA deixou de ser um tema exclusivo da área de tecnologia e passou a influenciar decisões estratégicas em diversos setores, como finanças, marketing e operações. No entanto, o avanço no uso não tem sido acompanhado por uma compreensão equivalente. A pesquisa global também indica que 66% dos funcionários confiam nos dados gerados pela IA sem verificar sua precisão, e 56% relatam que o uso da tecnologia já os induziu a erros.
Riscos e oportunidades da IA nas empresas
Empresas lideradas por gestores com baixo letramento em IA correm o risco de investir em soluções desalinhadas com a estratégia, automatizar processos inadequados, depender excessivamente de fornecedores e ter dificuldade em mensurar o retorno sobre o investimento. Por outro lado, empresas com lideranças que compreendem os fundamentos da IA podem direcioná-la para ganhos concretos, como aumento da eficiência operacional e melhoria da experiência do cliente.
Não se trata de saber programar, mas de entender onde a automação realmente agrega valor e quais decisões devem permanecer sob responsabilidade humana.
— Aline Lefol, CEO e fundadora da IA2YOU
A nova alfabetização empresarial
Ainda de acordo com Aline Lefol, esse cenário impulsionou o conceito de “nova alfabetização empresarial”, que vai além do treinamento técnico. O letramento em IA envolve a capacidade de fazer as perguntas certas, interpretar os resultados gerados por sistemas inteligentes e compreender os limites, riscos e impactos da tecnologia nos negócios.
Essa falta de conhecimento tem implicações diretas na competitividade. Análises da KPMG mostram que empresas que alinham a adoção da IA à estratégia de negócios tendem a obter ganhos relevantes em eficiência, inovação e desempenho econômico. Aquelas que tratam a IA apenas como uma ferramenta operacional correm o risco de desperdiçar recursos e perder relevância.
O papel da liderança na era da IA
Para Tiene Colins, o desafio atual é mais gerencial do que tecnológico. A IA já interfere na forma como as empresas operam e competem, mas muitos líderes ainda não dominam os critérios para avaliar riscos, estruturar a governança e mensurar o retorno de forma objetiva. A estrategista defende que a IA deve ser tratada como uma competência obrigatória da liderança executiva.
Delegar integralmente esse tema às áreas técnicas enfraquece a tomada de decisão e compromete a qualidade das escolhas estratégicas.
— Tiene Colins, estrategista e consultora de IA
IA para Negócios: Um guia prático
A discussão sobre o tema é aprofundada no livro IA para Negócios – Guia prático para pequenas e médias empresas, escrito por Aline Lefol e Tiene Colins. A obra apresenta uma abordagem acessível e focada em resultados para empresários e gestores que desejam compreender a IA sob uma perspectiva estratégica, com foco em eficiência operacional e crescimento sustentável. À medida que a IA se consolida na economia moderna, o letramento em IA se torna essencial para decisões mais eficientes e alinhadas aos objetivos de longo prazo das organizações.






