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Crédito limitado: entrave para importadores no Brasil?

Crédito limitado: entrave para importadores no Brasil?

O acesso limitado ao crédito tem se mostrado um gargalo para os importadores brasileiros, mesmo com a China consolidada como principal parceiro comercial do Brasil. De acordo com dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o fluxo comercial entre os dois países alcançou US$ 171 bilhões em 2025.

Déficit de financiamento

No entanto, o país enfrenta um déficit de cerca de US$49 bilhões em financiamento ao comércio exterior, segundo estimativas do Banco Mundial. Além disso, o déficit total de crédito para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) é estimado em US$600 bilhões, o que limita a expansão e diversificação das exportações e importações brasileiras.

Diante dessas restrições, alternativas fora do sistema bancário tradicional ganham espaço, como a SINOSURE, um modelo amplamente utilizado na Ásia. Esse mecanismo protege exportadores chineses contra o risco de inadimplência, permitindo prazos de pagamento de 90 a 120 dias diretamente a importadores brasileiros, sem intermediação de bancos locais.

A SINOSURE como alternativa

No Brasil, a Axton Global facilita o acesso à SINOSURE, apoiando importadores na estruturação desse tipo de crédito junto a fornecedores chineses.

Hoje, esse instrumento se tornou uma alternativa relevante para importadores brasileiros acessarem prazos de pagamento diferidos de 90 a 120 dias diretamente com fornecedores chineses, por meio do crédito comercial com cobertura da SINOSURE. Ao estabelecer um limite de crédito junto à organização, as empresas conseguem negociar prazos estendidos com exportadores chineses, otimizando a gestão do fluxo de caixa e reduzindo a pressão de curto prazo sobre o capital de giro. Como a China é o principal parceiro comercial do Brasil, soluções que facilitam esse tipo de crédito tendem a desempenhar um papel cada vez mais estratégico no fortalecimento dos fluxos comerciais bilaterais

— Igor Sokolov, Sócio-Diretor da Axton Global

Sokolov acrescenta que o modelo é amplamente utilizado na Ásia, mas ainda pouco conhecido no Brasil. “Na prática, muitos importadores precisam pagar os fornecedores antes mesmo de receber as mercadorias ou recorrer a crédito caro, deixando seus recursos comprometidos por meses. Com a SINOSURE, o importador recebe os produtos primeiro e paga depois, sem que o fornecedor fique exposto ao risco de inadimplência, já que a operação é respaldada por uma garantia que cobre a transação”.

Dessa forma, o importador ganha fôlego no fluxo de caixa, o fornecedor tem mais segurança para vender a prazo, os custos financeiros caem e toda a operação se torna mais previsível para ambas as partes.

Crédito chinês x Modelos tradicionais

A principal diferença entre o crédito estruturado na China e os modelos tradicionais utilizados no Brasil está na origem do financiamento. O Finimp, por exemplo, é uma linha de financiamento à importação concedida por bancos, na qual a instituição financeira paga o fornecedor estrangeiro e o importador brasileiro assume uma dívida com o sistema financeiro local, utilizando seu limite de crédito no Brasil.

A SINOSURE, por outro lado, opera sob uma lógica distinta, em que o crédito se origina na própria China, como parte da política de apoio às exportações do país. Ao garantir o risco de inadimplência, o instrumento permite que fornecedores chineses vendam a prazo com maior segurança, reduzindo a dependência das empresas brasileiras em relação às linhas bancárias domésticas e preservando o capital de giro.

Para a China, financiar exportações é política industrial. Ao acessar estruturas como a SINOSURE, as empresas brasileiras se conectam a um modelo desenhado para expandir o comércio exterior e fortalecer as relações bilaterais. Na prática, trata-se de uma solução menos burocrática para os importadores e especialmente atrativa para empresas de médio porte, que enfrentam maiores restrições de crédito no Brasil

— Igor Sokolov, Sócio-Diretor da Axton Global

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