Custos, produtividade e segurança se tornaram exigências simultâneas na logística brasileira. Uma pesquisa inédita aponta para uma mudança estrutural na forma como as empresas do setor estão operando.
Desafios e prioridades do setor
A 5ª edição do Guia sobre Tendências de Gestão de Frotas e Logística, estudo conduzido pela multinacional Platform Science, revelou que o setor chegou a um ponto de inflexão. Os gestores não podem mais escolher entre ser mais barato, mais rápido ou mais seguro, sendo pressionados a entregar os três ao mesmo tempo.
De acordo com o estudo, 90% dos participantes apontam a redução de custos como o principal desafio do setor. Além disso, produtividade (77,2%) e segurança (76,1%) aparecem tecnicamente empatadas, demonstrando a importância de ambos os aspectos.
Tecnologia como prioridade estratégica
Pela primeira vez, a tecnologia entra no topo das prioridades estratégicas, com 52,4% das menções. Essa mudança indica uma crescente busca por soluções inovadoras para otimizar as operações.
O fim do “jogo de soma zero”
O estudo da Plataform Science ouviu 450 profissionais de embarcadores, transportadores e operadores logísticos em todo o país, com margem de erro de 5% e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada entre outubro e novembro de 2025 e registra um crescimento expressivo de participação em relação à edição anterior, de 2024.
Segundo a pesquisa, 90% dos respondentes apontam a redução de custos operacionais como o principal desafio do setor, incluindo despesas com combustível, manutenção e pneus. Isso ocorre em um cenário de volatilidade no preço de combustíveis e juros altos para renovação de frota. No entanto, o que mais chama a atenção dos analistas é que produtividade (77,2%) e segurança (76,1%) aparecem tecnicamente empatadas, indicando que o mercado não aceita mais sacrificar uma dimensão em nome da outra.
Por muito tempo, o setor operou em um jogo de soma zero: para ganhar eficiência, muitas vezes aceitava-se um incremento de risco. Os dados mostram que essa lógica enfim acabou. O gestor de frotas hoje precisa usar os dados e a tecnologia para entregar rentabilidade e segurança, ou a conta simplesmente não fecha.
— Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science
A importância da tecnologia
Outro dado estratégico revelado pelo estudo é a entrada definitiva do uso de dados e novas tecnologias no topo das prioridades do setor. Pela primeira vez desde o início da série histórica, 52,4% dos profissionais apontam a tecnologia como um dos principais caminhos para enfrentar os desafios da operação, rompendo a barreira do chamado “Top 5” das preocupações executivas.
O movimento reflete uma mudança estrutural: equipes mais enxutas, operações mais complexas e sistemas ainda pouco integrados estão forçando empresas a buscar inteligência operacional para ganhar eficiência sem aumentar riscos.
A tecnologia deixou de ser um acessório e passou a ser o único meio viável para resolver a equação de fazer mais, com menos recursos e com mais segurança. Com inteligência operacional, a empresa ganha competitividade e maximiza o retorno em um setor de margens tão estreitas.
— Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science
Renovação geracional e qualificação
O levantamento também aponta uma aceleração consistente da renovação geracional no setor, com impactos diretos na forma como a logística e a gestão de frotas vêm sendo conduzidas. Profissionais nascidos entre 1981 e 1996 já representam mais de 53% da força de trabalho, enquanto a participação da geração mais jovem (1997 a 2009) praticamente dobrou em relação a levantamentos anteriores, alcançando 19,5%. Essa mudança etária não é apenas demográfica: ela traz uma nova mentalidade, mais orientada a dados, tecnologia e inovação.
Apesar da renovação, o nível de qualificação permanece elevado. Mais de 83% dos profissionais possuem ensino superior ou pós-graduação, reforçando o caráter cada vez mais estratégico da função. Esse perfil mais jovem e qualificado tem acelerado a adoção de soluções digitais, como sistemas de videotelemetria, análise de dados em tempo real, automação de processos e plataformas integradas de gestão, tornando a operação mais conectada às decisões do negócio.
A Geração Z finalmente enxerga a logística como um campo de profissionalização e crescimento. Não à toa, em menos de 24 meses praticamente dobramos a participação desse público no segmento.
— Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science
Segundo ele, esse movimento contribui diretamente para a modernização do setor e para ganhos econômicos relevantes, como a redução de custos operacionais, melhor controle de ativos e aumento da produtividade.
Gestão de frotas na estratégia
Para Neri, os dados da 5ª edição do Guia confirmam uma transição estrutural: a gestão de frotas deixou de ser uma atividade essencialmente operacional e passou a ocupar posição central na estratégia de toda a cadeia logística de produtos. Essa evolução impacta diretamente indicadores econômicos, como eficiência de custos, mitigação de riscos, compliance regulatório, segurança e sustentabilidade.
Os números mostram que não há mais espaço para decisões baseadas apenas em experiência ou intuição. A gestão de frotas entrou definitivamente na agenda estratégica das companhias, com a tecnologia e os dados como pilares desse novo modelo.
— Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science






