A nova lei dos influenciadores digitais promete alterar o cenário do marketing de influência no Brasil. Sancionada como Lei nº 15.325/2026, a legislação reconhece oficialmente o influenciador digital como profissão, inserida em um contexto mais amplo de atuação multimídia. Essa mudança marca um ponto crucial na regulamentação do marketing de influência, transformando a percepção do mercado sobre a atividade.
Profissionalização e Responsabilidade
De acordo com a especialista em marketing digital Camila Renaux, a lei vai além das questões jurídicas. “A grande virada não está apenas no texto da lei, mas na mudança de mentalidade que ela provoca. A partir de agora, não dá mais para tratar o marketing de influência como algo amador ou acessório. Ele passa a exigir planejamento, profissionalismo e responsabilidade real sobre o que é comunicado”, analisa.
Essa mudança reorganiza relações antes consideradas fluidas no ecossistema do marketing digital. Marcas tendem a ser mais criteriosas na escolha de criadores de conteúdo, contratos de publicidade se tornam mais detalhados e a transparência em conteúdos patrocinados deixa de ser um diferencial para se tornar uma exigência básica.
Impacto no Mercado
Essa nova realidade tende a reduzir a atuação de influenciadores que operavam sem estratégia ou preparo. “A influência que se sustenta apenas em alcance e informalidade perde espaço. Sobrevive quem entende impacto, reputação e responsabilidade”, avalia Camila Renaux.
O Imaginário Infantil e o Papel Formador
O debate ganha ainda mais relevância ao considerar o imaginário infantil. Afinal, ser influenciador digital é um dos principais desejos profissionais das crianças, o que faz com que o mercado assuma um papel formador ainda maior. Não se trata apenas de monetizar conteúdos, mas de compreender que tudo o que é publicado influencia comportamento, consumo e valores.
Ao contrário do que alguns discursos sugerem, a lei não limita a criatividade, mas redefine expectativas. Criar conteúdo continua essencial, mas agora deve caminhar junto com ética, preparo e consciência de impacto. Para o marketing, isso representa uma transição importante: menos foco em volume e vaidade digital, e mais atenção à qualidade, coerência e responsabilidade do conteúdo.
O Futuro do Marketing de Influência
No fim, o que está em jogo não é apenas o reconhecimento de uma nova profissão, mas a maturidade do marketing de influência no Brasil. Camila Renaux completa:
O setor entra em uma fase em que visibilidade sozinha já não basta. Influenciar, agora, é – ainda mais – assumir consequências pelo que é produzido e compartilhado nas redes sociais.
— Camila Renaux, especialista em marketing digital






