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Open Finance: 5 anos, avanços, limites e impacto no bolso do BR

Open Finance: 5 anos, avanços, limites e impacto no bolso do BR

O Open Finance completou cinco anos no Brasil em fevereiro de 2021, marcando um período de expansão e desafios. Apesar de prometer aumentar a concorrência bancária, reduzir custos de crédito e dar mais controle financeiro aos consumidores, o sistema ainda esbarra na confiança do usuário. Uma pesquisa inédita revela que, embora 76% dos brasileiros conheçam o Open Finance, apenas 37% autorizam o compartilhamento de seus dados financeiros.

Adesão e Confiança no Open Finance

O estudo “Do PIX ao planejamento financeiro: como a tecnologia está mudando nossa relação com o dinheiro”, conduzido pela Lina Open X, mostra que 76,8% dos entrevistados conhecem o Open Finance. No entanto, somente 37,1% autorizaram o compartilhamento de dados. Mesmo assim, 75,2% gostariam de consolidar suas múltiplas contas em um único aplicativo.

Além disso, os dados do Open Finance Brasil indicam que o sistema acumulava cerca de 143 milhões de consentimentos ativos para compartilhamento de dados entre instituições participantes em novembro de 2025.

Para Murilo Rabusky, Diretor de Negócios da Lina Open X, o número cresce consistentemente, mas ainda exclui uma parcela relevante da população.

Estamos diante de uma tecnologia que funciona, é segura e amplamente disponível, mas que ainda depende de uma adoção mais estratégica por parte das instituições. Elas podem utilizar os dados compartilhados em benefício de seus clientes, aumentando a percepção de valor e, consequentemente, a adesão — Murilo Rabusky, Diretor de Negócios da Lina Open X

Controle de Gastos e Ferramentas Digitais

A pesquisa revela um descompasso na relação dos brasileiros com ferramentas financeiras digitais. Embora 71,8% afirmem que a tecnologia ajuda a melhorar a relação com o dinheiro, apenas 18,9% utilizam aplicativos de controle financeiro no dia a dia. Esse distanciamento também aparece nos hábitos de controle de gastos, com 31,6% dos brasileiros registrando despesas manualmente e 16,1% não fazendo nenhum controle financeiro.

De acordo com Rabusky, o problema deixou de ser tecnológico, tornando-se comportamental, ligado à conveniência e à forma como as pessoas utilizam as ferramentas de finanças pessoais.

Oportunidades nos Aplicativos Bancários

O estudo aponta um baixo aproveitamento das funcionalidades de educação financeira oferecidas pelos bancos. Apesar de 81% dos brasileiros afirmarem que o aplicativo é o principal canal de relacionamento com a instituição financeira, apenas 23,1% seguem as orientações financeiras personalizadas recebidas por esse meio.

Além disso, o descompasso ajuda a explicar por que apenas 26% dos brasileiros conseguem poupar todos os meses e somente 12,8% se sentem totalmente preparados para lidar com imprevistos financeiros.

Existe uma grande oportunidade para transformar os aplicativos bancários em ferramentas efetivas de educação e gestão financeira integrada à rotina das pessoas, desde que a usabilidade, o engajamento e a personalização sejam tratados como parte fundamental da estratégia de diferenciação e fidelização de clientes — Murilo Rabusky, Diretor de Negócios da Lina Open X

Impacto do Open Finance no Crédito

Apesar dos desafios, os cinco anos de Open Finance trouxeram ganhos concretos para os usuários que autorizaram o compartilhamento de dados. O sistema registrou crescimento de 44% no último ano e consolidou o Brasil como um dos principais mercados globais de finanças abertas.

O impacto mais visível está no crédito. Com acesso a um histórico financeiro mais amplo, as instituições conseguem avaliar melhor o risco do cliente, o que tende a resultar em taxas menores para bons pagadores. A partir de fevereiro de 2026, a portabilidade de crédito via Open Finance deve reduzir o prazo do processo de cinco para três dias úteis, com acompanhamento digital em tempo real.

De acordo com Murilo Rabusky, um financiamento de veículo contratado a 2,8% ao mês em 2022 pode ser portado para uma taxa em torno de 1,9%, gerando uma economia significativa.

Segurança Técnica vs. Segurança Percebida

Tecnicamente, o Open Finance brasileiro opera com múltiplas camadas de proteção. O compartilhamento de dados ocorre apenas mediante consentimento explícito, segue as regras da LGPD, utiliza criptografia e é supervisionado pelo Banco Central. No entanto, a percepção de risco permanece elevada, com 56,3% dos entrevistados preocupados com segurança e medo de golpes.

A segurança no Open Finance é comparável, ou até superior, à de transações bancárias tradicionais. O desafio é transformar essa segurança técnica em segurança percebida — Murilo Rabusky, Diretor de Negócios da Lina Open X

Educação Financeira como Entrave Estrutural

Quase 37% dos brasileiros afirmam nunca ter recebido qualquer tipo de orientação em educação financeira. Entre os principais obstáculos para uma vida financeira mais equilibrada estão a falta de renda e a ausência de hábito e disciplina no planejamento e controle dos gastos.

Para Rabusky, o Open Finance é uma ferramenta poderosa, mas que não resolve sozinha problemas estruturais. Ele defende que o sistema deve caminhar junto com iniciativas efetivas de educação, prevenção ao superendividamento e incentivo à poupança.

O Futuro do Open Finance

Para 2026, o avanço do PIX Automático, a ampliação da jornada sem redirecionamento e a inclusão de pequenas e médias empresas no sistema devem reforçar a percepção de valor do Open Finance. Atualmente, menos de 10% dos consentimentos são de pessoas jurídicas, e a expectativa é facilitar o acesso a crédito para capital de giro.

Com mais de 900 instituições participantes e investimentos bilionários, o Brasil se consolidou como líder global em Open Finance. No entanto, os dados indicam que uma parcela significativa dos benefícios permanece fora do alcance de milhões de brasileiros.

O desafio agora é mostrar, com exemplos concretos, que o compartilhamento seguro de dados pode gerar economia real e melhorar a saúde financeira dos brasileiros — Murilo Rabusky, Diretor de Negócios da Lina Open X

Em suma, o Open Finance brasileiro avançou consistentemente em tecnologia e escala, mas seu sucesso futuro depende de casos de uso concretos e estratégias de negócios consistentes.

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