Em entrevistas e redes sociais, trajetórias de pessoas com domínio de idiomas e carreiras de sucesso são celebradas como talento. Mas, por trás dessas histórias, existe um fator pouco discutido: o acesso e o privilégio. Será que o sucesso que o Brasil celebra ignora quem nunca teve acesso ao processo?
Acesso e Permanência
Jonathas Groscove, especialista em comportamento humano, observou um padrão: muitos desistem não porque querem, mas porque não conseguem permanecer.
Durante décadas, o sucesso foi romantizado como mérito individual. No entanto, resultados sustentáveis vêm da possibilidade de permanecer em processos, algo historicamente disponível para poucos.
A gente ama celebrar o resultado, mas ignora o caminho. E, quando ignora o caminho, ignora também quem nunca teve chance de percorrê-lo.
— Jonathas Groscove, especialista em comportamento humano digital
Oportunidades Limitadas
Dominar idiomas, por exemplo, é fruto de vivências culturais e da chance de não precisar interromper o desenvolvimento para sobreviver. Para minorias, o acesso a viagens e formações sempre foi mais limitado. Muitas trajetórias são interrompidas por falta de estrutura e incentivo.
A meritocracia virou uma forma elegante de culpar quem não teve acesso ao processo. Quando alguém precisa provar seu valor o tempo inteiro, o aprendizado deixa de ser crescimento e passa a ser desgaste.
— Jonathas Groscove, empresário
A desistência precoce, rotulada como falta de foco, revela que sobreviver em ambientes não pensados para você custa mais energia. Esse custo raramente entra na conta nas histórias de sucesso.
Ritmos Próprios
Viajar e aprender idiomas permite compreender que cada pessoa tem um ritmo próprio. Medir trajetórias com a mesma régua é uma distorção perigosa, especialmente em empresas que buscam diversidade.
Processo não é sobre velocidade. É sobre permanência. E permanência só existe quando há estrutura, pertencimento e tempo.
— Jonathas Groscove
Enquanto a sociedade celebrar apenas resultados, sem revisar os processos, continuaremos confundindo privilégio com mérito.
Compreender processos é compreender pessoas, e isso é o primeiro passo para uma sociedade mais justa.






