O Brasil se destaca na produção de conhecimento científico, mas enfrenta dificuldades em transformar esse conhecimento em produtos e tecnologias de impacto econômico. O termo “vale da morte” da inovação descreve essa fase crítica em que muitos projetos de engenharia estagnam.
A fragilidade na transição entre a pesquisa e o mercado
Para Pedro Rodrigues de Castro Jalles, engenheiro e pesquisador, o problema reside na fragilidade da transição entre as etapas do processo inovador. “O Brasil forma engenheiros altamente qualificados e produz pesquisas relevantes, mas muitos projetos morrem justamente quando precisam sair do ambiente controlado do laboratório para enfrentar a realidade do mercado”, analisa.
Segundo Jalles, o “vale da morte” ocorre quando a inovação deixa de ser puramente científica e se torna um empreendimento. Etapas como prototipagem avançada, validação industrial, testes em escala e adequação regulatória exigem investimentos elevados e envolvem riscos que poucos estão dispostos a assumir. Essa transição robusta ainda não encontra o suporte necessário no país.
Burocracia e a morosidade do ciclo de inovação
Além disso, a burocracia também é um fator que pesa. Processos lentos para contratação, aquisição de insumos, proteção de propriedade intelectual e formalização de parcerias tornam o ciclo de inovação mais longo e menos atrativo para investidores. “Quando uma tecnologia leva anos para sair do papel, ela corre o risco de chegar atrasada ou perder competitividade frente a soluções estrangeiras”, ressalta Jalles.
Oportunidades e o futuro da inovação no Brasil
Apesar dos desafios, o crescimento de programas de inovação, o interesse de empresas por parcerias tecnológicas e o fortalecimento de ambientes de inovação regionais são aspectos positivos. No entanto, o especialista alerta que essas iniciativas precisam ser contínuas e estruturais, com financiamento estável, segurança jurídica e uma cultura de cooperação que acompanhe o projeto até o mercado.
Como superar o ‘vale da morte’?
Para atravessar o “vale da morte”, o pesquisador aponta três fatores essenciais: a integração entre engenharia e negócios, políticas públicas de longo prazo e maior participação do setor privado.
Inovação não é um evento isolado, é um processo. E enquanto o Brasil não tratar essa travessia como parte estratégica do desenvolvimento nacional, continuará produzindo boas ideias que não se transformam em soluções reais.
— Pedro Jalles, engenheiro e pesquisador
Enquanto isso, o país continuará a produzir boas ideias que não se concretizam em soluções reais.






