O ano de 2026 apresenta um cenário atípico para empresas, exigindo atenção redobrada ao planejamento estratégico. A combinação de eventos como a Copa do Mundo, eleições nacionais e um calendário com muitos feriados prolongados demandará uma leitura mais cuidadosa do ambiente econômico.
Impactos do calendário econômico em 2026
Durante anos, o calendário foi considerado um fator operacional neutro para empresários. Em 2026, essa visão pode se tornar um risco. A fragmentação da atenção, a menor previsibilidade e a maior volatilidade no consumo exigirão um planejamento estratégico mais eficiente do que o otimismo. É importante notar que 2026 não será um ano ruim, mas sim seletivo.
Dados de pesquisas globais da Ipsos revelam que 71% dos brasileiros pretendem acompanhar a Copa do Mundo de 2026, superando a média mundial de 59%. Paralelamente, o relatório Global Ad Spend Forecasts, da Dentsu, indica que o Brasil liderará o crescimento global dos investimentos publicitários em 2026, com um aumento estimado de 9,1%, impulsionado pela Copa e pelas eleições. No entanto, esse cenário aparentemente promissor esconde uma disputa acirrada pela atenção do consumidor em períodos concentrados.
Atenção: um recurso escasso em 2026
A experiência histórica mostra que grandes eventos não garantem crescimento automático e equilibrado. Estudos do Banco Mundial e de universidades europeias apontam que os efeitos econômicos são intensos no curto prazo, mas desiguais entre os setores. Turismo, entretenimento e alimentação se beneficiam imediatamente, enquanto indústria, varejo tradicional e negócios B2B enfrentam menos dias úteis e ciclos de venda mais longos.
Há uma crença de que anos de Copa e eleições aquecem a economia, mas essa visão ignora a escassez de atenção. Campanhas políticas, transmissões esportivas e entretenimento competirão pela atenção do público, tornando a publicidade mais cara e menos eficiente. Marcas que dependem exclusivamente de mídia paga e lançamentos pontuais enfrentarão um ambiente desfavorável. Visibilidade sem estratégia se torna custo, não investimento.
Planejamento financeiro e recorrência como trunfos
O impacto também será sentido no fluxo de caixa das empresas. A diminuição de dias úteis, combinada a picos de consumo emocional, resultará em meses de alta seguidos por retrações. Sem modelos de receita recorrente, relacionamento direto com o cliente e planejamento financeiro conservador, muitos negócios experimentarão um crescimento ilusório, seguido por quedas abruptas. Em 2026, a previsibilidade será um ativo mais valioso do que a expansão acelerada.
Sendo assim, o calendário não será apenas uma desculpa para os resultados, mas um fator determinante. Empresas que priorizarem a recorrência, anteciparem o fluxo de caixa, reduzirem a dependência de mídia paga e planejarem o ano em ciclos estarão em vantagem competitiva. As demais poderão esperar que o ano “comece de verdade”, enquanto as empresas mais preparadas já estarão colhendo os frutos de um planejamento bem estruturado.
Em 2026, previsibilidade será um ativo mais valioso do que expansão acelerada.
— Eduardo Schuler, CEO da Smart Consultoria
*Eduardo Schuler é CEO da Smart Consultoria e especialista em Growth e escala de negócios.






