Até o fim de 2026, 96% do conteúdo online poderá ser sintético. O dado, proveniente de um estudo do Laboratório de Inovações da Europol (Agência da União Europeia para a Cooperação Policial), acende um alerta sobre a crescente influência da inteligência artificial (IA) na produção de conteúdo e seus impactos no tráfego orgânico.
A ‘morte do clique’ e a Web Agêntica
O tráfego orgânico de buscas está sendo massivamente drenado pelas respostas diretas do Google, especialmente com a implementação dos AI Overviews. Especialistas da liveSEO trazem dados inéditos sobre a Web Agêntica e o novo algoritmo Block Rank, que detalham como a receita de e-commerces resiste à queda de acessos e como a “autoridade para robôs” se tornou uma barreira contra a invisibilidade digital.
O ecossistema digital encerrou 2025 indicando uma mudança definitiva no comportamento dos usuários. O modelo tradicional, onde o usuário busca, clica em um link e consome o conteúdo de um site, perdeu espaço. Em 2025, a inteligência artificial generativa (GenAI) deixou de ser uma camada adicional para se tornar a linha de frente da experiência de navegação.
O aumento do conteúdo sintético
Apesar do levantamento da agência de segurança europeia ter focado em questões de cibersegurança, os números forçaram uma reconfiguração na forma como as marcas disputam a atenção do consumidor.
A chegada massiva dos AI Overviews trouxe dúvidas sobre a era do “zero clique”. No entanto, a análise da liveSEO revela que o volume de buscas aumentou 10%, embora o destino do usuário tenha mudado. Surpreendentemente, a receita permaneceu estável, apesar da drenagem de acessos para as interfaces de IA.
Se antes o SEO era focado simplesmente em tráfego, hoje ele é sobre relevância de marca. Percebemos uma queda generalizada de acessos que não foi acompanhada por uma queda na receita do e-commerce. O usuário agora quer a resposta pronta, e a marca precisa ser a fonte dessa resposta.
— Lorena Martins, CMO da liveSEO
Block Rank: a nova engenharia do Google
A mudança estrutural nos buscadores substituiu a antiga contagem de links por sistemas que interpretam a profundidade do conteúdo. O algoritmo Block Rank surge como o novo pilar técnico, permitindo que as IAs analisem a relevância de passagens específicas de um site de forma isolada e simultânea. Para as empresas, isso significa que a repetição de termos isolados perdeu o sentido comercial frente ao processamento de contexto.
Hoje, para ter visibilidade, trabalhamos a multimodalidade. O Google e as LLMs precisam entender que sua entidade é autoridade naquele assunto por meio de vídeos, áudios e textos segmentados. Antigamente ranqueávamos documentos; hoje, ranqueamos contextos.
— Henrique Zampronio, Head Técnico da liveSEO
A importância da expertise humana
Com a facilidade de gerar textos via IA, a internet foi inundada por conteúdos genéricos e superficiais. Em resposta, os algoritmos passaram a privilegiar o que chamam de People-First Content — informações baseadas em experiências reais e dados proprietários. Nesse contexto, o cerco à mediocridade sintética transforma a “sinceridade” e a bagagem da marca nos novos fatores determinantes de ranking.
O usuário busca pela dor, não pelo nome que a empresa deu ao produto. Se você vende moda para executivos com rotina corrida, o seu conteúdo precisa resolver o problema da falta de tempo, e não apenas listar peças de roupa. A IA do ChatGPT ou do Perplexity prioriza a entidade que demonstra essa expertise.
— Laís Mikeyla, coordenadora de estratégias de SEO
Web Agêntica e o futuro do SEO
A projeção para o próximo ano aponta para a “Web Agêntica”, conceito em que agentes de IA integrados a dispositivos vestíveis podem realizar tarefas de busca e transação de forma autônoma por seus usuários. Neste cenário, a infraestrutura técnica — como o uso de arquivos llms.txt — torna-se a linguagem de comunicação vital entre a empresa e os novos “consumidores robóticos”.
Estamos caminhando para o que vemos no filme ‘Her’: você pensa, o agente processa e a solução aparece. Nosso trabalho é garantir que, quando o agente de IA for procurar o melhor produto, a sua marca seja a recomendação única.
— Lorena Martins, CMO da liveSEO






