A gestão desorganizada dentro das empresas brasileiras tem se mostrado um fator de risco crescente. A ausência de processos estruturados contribui para o aumento de passivos trabalhistas e fiscais, conforme apontam dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Sebrae. Essas falhas administrativas figuram entre as principais causas de litígios e de mortalidade empresarial.
Controles frágeis e riscos invisíveis
A advogada e empresária Mayra Saitta, fundadora do Grupo Saitta, analisa como controles internos frágeis, a falta de integração entre diferentes áreas e decisões reativas podem transformar riscos invisíveis em disputas jurídicas. Além disso, ela aponta ações práticas de prevenção para reduzir passivos e aumentar a previsibilidade dos negócios.
Os passivos não surgem do dia para a noite. Eles são construídos a partir de decisões reativas, controles frágeis e falta de processos bem definidos.
— Mayra Saitta, fundadora do Grupo Saitta
Informalidade na gestão e seus reflexos
A informalidade na gestão frequentemente se manifesta em rotinas sem padronização, registros incompletos e falta de integração entre as áreas administrativa, contábil e jurídica. Esse cenário aumenta a exposição a erros no cumprimento de obrigações trabalhistas e fiscais, além de dificultar a tomada de decisões estratégicas. “Quando a empresa cresce sem estrutura, o risco cresce junto”, complementa Saitta.
Prevenção como estratégia
Especialistas destacam que muitas organizações só percebem a gravidade do problema quando ele já se transformou em litígio. Nesse ponto, além do impacto financeiro, há um desgaste operacional e perda de foco no negócio. “A correção sempre custa mais do que a prevenção”, observa a executiva.
Onde os riscos começam
Antes de qualquer ação judicial, os conflitos costumam se formar dentro da própria empresa, de maneira silenciosa e cumulativa. A falta de clareza nas responsabilidades, a ausência de processos documentados e decisões tomadas sem base em dados criam um ambiente propício ao surgimento de passivos.
Segundo Saitta, quando cada área atua de forma isolada, sem uma visão sistêmica, a empresa perde previsibilidade. “Gestão não é burocracia. É organização para reduzir risco e sustentar o crescimento”, afirma.
A gestão como ferramenta de prevenção jurídica
A estruturação da gestão interna funciona como uma camada de proteção para o negócio. Processos bem definidos, controle de prazos e registro de decisões reduzem falhas operacionais e fortalecem a empresa em eventuais disputas.
Quando existe método, a empresa deixa de apagar incêndios e passa a agir de forma preventiva.
— Mayra Saitta, fundadora do Grupo Saitta
Na prática, isso se traduz em menos multas, menos autuações e maior segurança jurídica.
Ações iniciais para organizar a empresa
O primeiro passo não está em ferramentas sofisticadas, mas no diagnóstico da operação. A partir dessa análise, algumas ações iniciais fazem a diferença:
- Mapear processos existentes, mesmo que informais;
- Identificar gargalos operacionais e pontos de risco;
- Estabelecer rotinas mínimas de controle e acompanhamento;
- Definir responsáveis e critérios claros de decisão.
Como contratar apoio especializado
A busca por empresas ou consultorias de gestão exige atenção à metodologia adotada e à capacidade de integrar diferentes áreas do negócio, uma vez que soluções isoladas tendem a resolver apenas parte do problema.
Nesse processo, é fundamental avaliar se a abordagem considera de forma integrada gestão, contabilidade e jurídico, além de evitar modelos genéricos que não dialogam com a realidade operacional da empresa.
Também é recomendável priorizar metodologias que promovam autonomia interna e previsibilidade, permitindo decisões mais claras e seguras ao longo do crescimento do negócio. “Gestão eficiente não engessa a operação. Ela dá clareza para o empresário decidir melhor”, finaliza a executiva.
Benefícios da organização interna
Empresas que investem em organização interna tendem a reduzir passivos, melhorar a previsibilidade financeira e ganhar eficiência operacional. Além disso, fortalecem sua posição diante de parceiros, investidores e instituições financeiras.
O alerta, porém, é direto: “Quando a empresa ignora a gestão, ela não elimina o risco, apenas adia o problema. E, quando ele aparece, costuma ser maior e mais caro”, conclui Mayra Saitta.






