Investidores experientes estão realocando seus portfólios, antecipando um novo ciclo no mercado americano de real estate. A mudança reflete a busca por ativos lastreados na economia real, com geração de caixa e previsibilidade jurídica em um ambiente de transição dos mercados financeiros.
Real estate americano ganha destaque
Nesse contexto, o mercado imobiliário dos Estados Unidos volta a ser considerado para planejamento patrimonial, combinando proteção de capital, renda recorrente e menor dependência de movimentos táticos do mercado. A lógica não é nova, mas se intensifica em momentos de transição.
Relatórios do Bank for International Settlements indicam que, em fases de ajuste do ciclo econômico, retornos reais de instrumentos financeiros tradicionais tendem a se comprimir, elevando o risco de reinvestimento e reduzindo a previsibilidade de ganhos. Para investidores experientes, isso aumenta o interesse por ativos que geram caixa direto e mantêm valor intrínseco, independentemente da direção dos mercados.
Mercado imobiliário aquecido na Flórida
O mercado imobiliário americano se destaca nesse contexto com fundamentos sólidos. Dados da National Association of Realtors mostram que os preços dos imóveis residenciais permanecem próximos das máximas históricas, mesmo com a desaceleração no ritmo de valorização.
Na Flórida, a combinação entre migração interna, crescimento populacional e demanda externa sustenta o mercado. De acordo com a Florida Realtors, compradores internacionais foram responsáveis por cerca de 21% das aquisições no estado nos últimos 12 meses até meados de 2025, com valorização anual entre 6% e 9% em regiões como Orlando, Miami e Tampa.
O investidor que já passou por diferentes ciclos entende que retorno financeiro puro perde eficiência quando o cenário muda. Ativos reais, com demanda concreta e geração de renda mensal, passam a ocupar um papel mais estratégico na carteira.
— Leandro Sobrinho, empresário do setor imobiliário e cofundador da Davila Finance
Na avaliação de Sobrinho, imóveis bem estruturados funcionam como amortecedores de volatilidade, desde que o projeto seja concebido com foco operacional.
Custos exigem análises conservadoras
Esse foco ganha relevância diante das pressões de custo que seguem presentes. Despesas com seguros, impostos, manutenção e mão de obra continuam impactando a rentabilidade líquida. Dados do Bureau of Labor Statistics indicam que os custos ligados à habitação avançam acima da inflação geral, exigindo análises mais conservadoras.
A valorização futura não pode ser o único pilar da decisão. O ativo precisa se sustentar pela operação.
— Leandro Sobrinho, empresário do setor imobiliário e cofundador da Davila Finance
Previsibilidade regulatória como fator decisivo
Além do aspecto econômico, a previsibilidade regulatória dos Estados Unidos aparece como fator decisivo. Avaliações do World Bank posicionam o país entre os mercados com maior segurança jurídica para investimentos imobiliários, reduzindo riscos institucionais e fortalecendo a atratividade para investidores estrangeiros. Esse ambiente favorece estratégias de longo prazo e diferencia o mercado americano de outras jurisdições mais instáveis.
Quem entende que a volatilidade faz parte do mercado busca ativos que geram caixa enquanto o cenário se ajusta. O imóvel cumpre esse papel quando está bem localizado e inserido em uma dinâmica real de demanda. O apelo não está em ganhos rápidos, mas na previsibilidade do fluxo e na solidez do lastro.
— Thiago Davila, empreendedor com mais de 20 anos de experiência no setor imobiliário e também à frente da Davila Finance
Davila observa que o período recente favoreceu estratégias excessivamente financeiras, mas essa lógica tende a perder espaço. “Quando o retorno do rentismo se comprime, o capital migra para onde há geração real de valor. Imóveis com demanda consistente de locação passam a oferecer renda e proteção ao mesmo tempo”, diz. A disciplina na estruturação do projeto e na administração do ativo, segundo ele, é o que diferencia resultados sustentáveis de apostas oportunistas.
Na prática, investidores mais experientes têm priorizado análises de fluxo de caixa, diversificação de perfis de inquilinos e gestão ativa, em detrimento de projeções otimistas de preço. “Não se trata de eliminar risco, mas de torná-lo administrável”, afirma o empresário. Com isso, a transição do rentismo para a economia real tende a ganhar força, consolidando o real estate americano como um dos principais vetores de alocação patrimonial no cenário internacional.





