Investir em startup se tornou uma estratégia de alto risco, mas ainda viável. Alexandre Pierro, especialista de gestão da PALAS, explica como investir de forma segura, buscando um retorno lucrativo.
Cenário atual: cautela e governança
Há alguns anos, a pergunta mais comum entre investidores era “qual startup será o próximo unicórnio?”. Hoje, a questão mudou para “como podemos minimizar riscos e maximizar resultados?”. O capital abundante e a paixão por ideias inovadoras impulsionavam empresas que, muitas vezes, não tinham receita suficiente para se sustentar a longo prazo. Agora, essa aposta de alto risco exige uma gestão administrativa eficaz para que consigam sobreviver e prosperar financeiramente.
Segundo relatório da S&P Global Market Intelligence, em fevereiro de 2025, o total levantado em rodadas de venture capital caiu cerca de 30,2% em valor agregado comparado ao mesmo período de 2024. Além disso, outro relatório da KPMG constatou que, ainda em 2024, este mesmo valor caiu de US$ 95,5 bilhões para US$ 70,1 bilhões de um trimestre para o outro, chegando ao nível mais baixo em quase sete anos.
A importância da governança corporativa
Desde a pandemia, pesquisas mundiais registram quedas constantes nestes números. O motivo? O empresariado está mais cauteloso ao escolher onde investir seus recursos financeiros. Eventos externos, como o isolamento social, instabilidades econômicas ou conflitos geopolíticos, podem ser fatais para negócios que não estão estruturados para imprevistos.
É claro que todo o mercado pode ser surpreendido por cenários extremos capazes de impactar seus processos. No entanto, o que ajudará a mitigar danos severos e aguentar firme a tempestade é a governança corporativa. Ou seja, se, antes, ter uma boa ideia poderia ser suficiente para atrair altos volumes de investimentos, hoje é preciso provar que a empresa sabe se organizar, se controlar e crescer com método e segurança.
Mesmo que ainda estejam dando seus primeiros passos no mercado, não há mais espaço para que as startups tentem alcançar êxito contando com uma gestão interna desorganizada, que não acompanhe de perto os resultados obtidos e que não se baseie em métricas relevantes para as tomadas de decisões. Isso apenas levará a um “crescimento” desorganizado que, certamente, encontrará uma grande pedra em seu caminho que impedirá que continue sua trajetória.
Como investir de forma assertiva
Priorizar a estruturação de uma governança sólida desde o começo combate esses riscos, criando regras claras para as decisões, definindo os papéis e responsabilidades de cada um e prezando pela transparência operacional. Enquanto muitas apenas dão “voos de galinha” (crescimento rápido, mas não sustentável pela falta de processos), as que contam com essa gestão conseguirão transformar crescimento caótico em sustentável.
Organização e metodologias de gestão
Na prática, isso ocorre através de uma maior organização nas demonstrações financeiras, indicadores de performance (KPIs) claros, documentação dos processos decisórios, análises de cenários e riscos que simulem diferentes impactos de cada decisão nas operações. Isso viabiliza uma maior capacidade de escalar, sem perder o controle.
Apesar de muitos associarem a governança a algo meramente técnico e burocrático, ela abre espaço para usufruto das inúmeras metodologias de gestão reconhecidas internacionalmente capazes de orientá-las nos melhores caminhos a serem seguidos, como ocorre com a ISO de Inovação, que oferece diretrizes internacionais que servem como um guia de boas práticas para empresas que desejam inovar com estrutura e eficiência.
Diante de um mercado extremamente digital, não há como deixar de lado a ISO 27001, que define os requisitos para estabelecer, implementar, manter e melhorar continuamente um Sistema de Gestão de Segurança da Informação (SGSI). Para qualquer negócio, isso é crucial para garantir a proteção de seus ativos sensíveis.
Benefícios para investidores e empreendedores
Todos os envolvidos são beneficiados com este olhar, tanto o investidor quanto o próprio empreendedor. Afinal, erros passam a ser detectados antecipadamente, as decisões deixam de ser centralizadas e passam a ser colaborativas, mitigando riscos de falência por má gestão ou perda do controle do negócio.
No atual cenário, a governança não é mais um diferencial, mas sim condição básica de sobrevivência. Startups que não estruturam processos, controles e decisões, deixam de ser empresas de oportunidades e passam a ser perigosas. E, diante de um mercado mais criterioso quanto onde investir, o risco é tudo o que o investidor quer evitar.
No atual cenário, a governança não é mais um diferencial, mas sim condição básica de sobrevivência. Startups que não estruturam processos, controles e decisões, deixam de ser empresas de oportunidades e passam a ser perigosas. E, diante de um mercado mais criterioso quanto onde investir, o risco é tudo o que o investidor quer evitar.
— Alexandre Pierro, especialista de gestão da PALAS
Alexandre Pierro é mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.






