A escritora Lis Vilas Boas foi a vencedora do Prêmio Argos na categoria Romance com seu livro “Garras”, lançado pela Rocco. O prêmio homenageia a produção de literatura fantástica original em português, e contempla também as categorias Melhor Antologia/Coletânea e Melhor Conto.
Romantasia premiada
Em 2025, Lis Vilas Boas lançou “Feras”, livro que segue a mesma linha de sua obra premiada. Ambos os livros, lançados pela Rocco, apresentam a mesma pegada de Romantasia.
“Para mim, ver ‘Garras’ agraciado com o Prêmio Argos é a certeza de que escrever romantasia é algo que me preenche. E também serve para me consolidar como autora brasileira referência do gênero, é claro”, comemora Lis, que também já foi finalista do Prêmio Odisseia com seu conto “As Sete Mortes de uma Sereia”.
Além disso, a autora explica que seus livros podem ser lidos em qualquer ordem ou de forma independente. “Isso é comum em séries de romance, e eu tinha muita vontade de fazer isso com histórias que misturam romance e fantasia. Em ‘Feras’ o casal principal tem que lidar com questões de quebra de confiança e também de coragem para assumir uma relação tabu perante a sociedade.”
Meus livros podem ser lidos em qualquer ordem ou de forma independente. Em ‘Feras’ o casal principal tem que lidar com questões de quebra de confiança e também de coragem para assumir uma relação tabu perante a sociedade.
— Lis Vilas Boas, escritora
“Garras”: uma história de vingança e amor
A obra premiada, “Garras”, narra a história de Diana de Coeur, uma bruxa rica em busca de vingança, e Edgar, um lobisomem mafioso da periferia disposto a tudo por sua família. Ambientada em uma cidade fictícia inspirada no Rio de Janeiro dos anos 1920, a trama acompanha o acordo de casamento por conveniência entre os dois, que acabam descobrindo mais do que poder e dinheiro em jogo.
Temas contemporâneos
Em uma história de amor intensa entre personagens de personalidade forte e moral duvidosa, Lis aborda temas latentes na literatura fantástica contemporânea. Entre eles, o poder da raiva feminina em mundos injustos com as mulheres e o uso de monstros como metáfora para as imperfeições humanas e desejos sombrios. A inspiração no cenário carioca antigo também retrata uma cidade dividida em classes sociais estruturadas, onde humanos e monstros convivem em uma tensão constante de preconceito e corrupção.
“Feras”: romance e carnaval no Rio
Já em “Feras”, o leitor encontra um romance de segunda chance e aproximação por interesse, em um cenário pré-carnavalesco de um Rio de Janeiro fictício, onde mafiosos tentam roubar a cena. Dessa vez, a autora se inspirou em dois elementos do imaginário carioca: o jogo do bicho, transformado no jogo do poupa-fera, e o carnaval, com outras origens.
Na obra, Selene Veronis e Heitor Lacarez se conhecem. Ela é uma dama perfeita, linda, educada e sempre sorrindo. Ele é o único a saber que, sob a imagem de socialite, existe uma artista ousada e aventureira, que sonha em conquistar a própria liberdade. No entanto, ele também quer prendê-la em seus braços.
Heitor é charmoso e perigoso, um lobo em pele de homem. Selvagem o bastante para despertar a curiosidade, mas controlado demais para se entregar de verdade. Selene sabe que Heitor é um gigolô, um mentiroso, um traidor, mas talvez também seja sua última esperança.
Além de ser algo que os leitores de Garras queriam muito, porque Heitor é o queridinho e o personagem favorito de muita gente, eu também tinha muita vontade de explorar outras partes desse Rio de Janeiro fictício, dessa vez trazendo um pouco de jogos de azar e o bom e velho carnaval. Então em Feras eu trago o que se esconde por trás do charme de Heitor, e também uma nova camada do universo que as pessoas conheceram em Garras.
— Lis Vilas Boas






