A desorganização interna em clínicas médicas e odontológicas tem gerado impactos financeiros e operacionais significativos no início de 2026. Falhas de organização afetam o faturamento e a experiência do paciente.
Impactos da desorganização nas clínicas
Retrabalho, atrasos, falhas de comunicação e gargalos no agendamento comprometem a experiência do paciente, o faturamento e a reputação dos serviços de saúde, em um momento de custos elevados e pressão por eficiência.
Levantamentos do setor indicam que clínicas com processos pouco estruturados perdem receitas devido a faltas não gerenciadas, horários ociosos e cancelamentos mal administrados. A Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que ineficiências operacionais podem consumir até 20% do potencial de receita de empresas de serviços intensivos em agenda, como é o caso da saúde.
A visão do especialista
Para o Dr. Éber Feltrim, especialista em gestão de negócios na área da saúde e fundador da SIS Consultoria, a desorganização tem origem em processos não mapeados ou revisados. “Muitas clínicas crescem em volume de atendimentos, mas mantêm rotinas informais. Isso gera retrabalho, dependência excessiva de pessoas-chave e falhas que se repetem diariamente sem que o gestor perceba o impacto financeiro real”, afirma.
Problemas no agendamento e pós-consulta
O problema surge no primeiro contato do paciente com a clínica. Agendas sobrecarregadas, confirmações inexistentes ou manuais e informações desencontradas entre recepção e equipe assistencial ampliam atrasos e insatisfação. Pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com a Docway, mostra que o tempo de espera e a dificuldade de agendamento estão entre os principais motivos de reclamação de pacientes em serviços de saúde privados.
Além disso, o pós-consulta também é frequentemente negligenciado. “Quando não há um processo claro de acompanhamento, a clínica perde oportunidades de retorno, adesão a tratamentos e fidelização. Isso não é apenas um problema de atendimento, mas de gestão”, explica Feltrim. Segundo ele, falhas nessa etapa reduzem a taxa de recompra e aumentam a dependência constante de novos pacientes para sustentar o faturamento.
Mapeamento de processos como solução
O mapeamento de processos surge como ferramenta para corrigir esses gargalos. A prática envolve desenhar, revisar e padronizar etapas como agendamento, atendimento, fluxo de informações, faturamento e comunicação interna. Estudos da Deloitte indicam que organizações de saúde que revisam processos sistematicamente conseguem reduzir custos operacionais em até 15% e melhorar a satisfação do paciente.
Para Feltrim, o início do ano é estratégico para ajustes. “O início do ano expõe com mais clareza as falhas acumuladas. Quem usa esse momento para organizar processos, definir responsabilidades e estabelecer indicadores consegue atravessar o semestre com mais previsibilidade e menos desgaste”, finaliza.
Em um setor pressionado por margens estreitas e exigências do consumidor, a desorganização representa um risco concreto. Corrigir gargalos operacionais é crucial para separar crescimento sustentável de perda de resultados em 2026.






