A violência no Brasil age como um freio para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O debate sobre o crescimento econômico frequentemente se concentra em juros altos e incerteza fiscal, mas ignora um fator estrutural: a insegurança pública. Um estudo recente aponta que a segurança pública precisa entrar na pauta econômica do Brasil.
O custo da violência no PIB
Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estima que os custos diretos da criminalidade e da violência atingiram 3,4% do PIB da América Latina em 2022. Essas perdas incluem a queda na produtividade, os gastos privados com segurança e as despesas públicas com policiamento e justiça.
Além disso, a economia subterrânea movimenta mais de R$ 350 bilhões por ano no Brasil, o que corresponde a cerca de 4% do PIB nacional. Essas atividades ilícitas se infiltram em setores estratégicos como combustíveis, bebidas e mineração, gerando concorrência desleal e reduzindo a arrecadação.
A criminalidade opera como um imposto invisível sobre o capital, elevando custos operacionais e reduzindo a produtividade.
— Reinaldo Soares de Camargo, economista
Impacto macroeconômico da violência
O Fundo Monetário Internacional (FMI) indica que países latino-americanos poderiam adicionar até 0,5 ponto percentual ao crescimento anual se reduzissem as taxas de violência à média mundial. Esse efeito seria comparável a programas de estímulo econômico permanentes. Cidades com altos índices de homicídios e extorsões sofrem com a retração do investimento privado e do turismo, enquanto regiões dominadas por facções enfrentam fuga de capital e restrição de crédito.
Crime organizado e exclusão econômica
De acordo com a UNODC (United Nations Office on Drugs and Crime), a América Latina responde por mais de um terço dos homicídios relacionados ao crime organizado no mundo. O Brasil, apesar de uma leve queda em 2024, ainda apresenta taxas elevadas de violência, impactando o investimento e a produtividade.
Relatórios da Global Initiative Against Transnational Organized Crime (2025) mostram que a presença de facções no Norte e Nordeste do Brasil tem reconfigurado fluxos logísticos e cadeias produtivas, criando áreas de exclusão econômica e dificultando investimentos em infraestrutura, energia e transporte.
Segurança pública como investimento
A ausência de uma política de segurança articulada como política de Estado perpetua o desperdício de capital humano e impede a inovação. Superar essa situação requer uma nova abordagem: a segurança pública deve ser vista não como um gasto, mas como um investimento produtivo. Integrar inteligência, tecnologia e rastreabilidade financeira é tão estratégico quanto investir em infraestrutura física.
A experiência internacional demonstra que países que reduziram a violência estrutural obtiveram ganhos duradouros em produtividade e confiança social. Para alcançar um crescimento compatível com seu potencial, o Brasil precisa priorizar a segurança pública na política econômica.






