Na COP30, a aliança SOS Oceano lançou um apelo urgente para a criação de Unidades de Conservação (UC) no Albardão, localizadas no extremo sul do litoral brasileiro. A campanha, intitulada “Sem Azul, Não Há Verde”, busca o apoio do governo federal para a ampliação das áreas marinhas protegidas no Brasil. O lançamento ocorreu no Pavilhão do Oceano, na Blue Zone da conferência, em Belém (PA), com a presença do ativista internacional Paul Watson, fundador da Sea Shepherd, e de Angela Kuczach, articuladora da aliança.
A importância da preservação marinha
A campanha reforça a importância vital da preservação dos ecossistemas marinhos para garantir o equilíbrio climático e a manutenção da vida na Terra. A mensagem central da iniciativa, “Sem o azul do oceano, não há o verde das florestas”, visa sensibilizar governos, instituições e a sociedade civil sobre a necessidade de expandir a rede de áreas marinhas protegidas no país.
Durante o painel, Angela Kuczach destacou a importância estratégica do Albardão, considerada uma das áreas mais isoladas e ricas em biodiversidade marinha do Brasil. “Há 20 anos, a sociedade civil solicita a proteção do Albardão, e agora estamos muito próximos de concretizar esse objetivo. Basicamente, a decisão depende de vontade política”, enfatizou.
Albardão: área prioritária para conservação
Além disso, a região é classificada pelo ICMBio como prioritária para conservação desde 2004, quando pesquisadores e organizações locais iniciaram estudos que confirmaram a relevância da área em termos de biodiversidade.
É imperativo que o presidente Lula transforme em ação concreta o compromisso com o oceano que anunciou na abertura da COP30, começando pela autorização da criação de Unidades de Conservação no Albardão, no extremo sul do Brasil — um passo decisivo para demonstrar que o país leva a sério a proteção de sua biodiversidade marinha e o cumprimento das metas globais de 30×30.
— Paul Watson, embaixador da SOS Oceano
A aliança SOS Oceano é composta pela Rede Pró-UC, Sea Shepherd Brasil, Golfinho Rotador, NEMA, Divers for Sharks, Cátedras UNESCO, Tubarões e Raias de Noronha, e conta com o apoio da Blue Marine Foundation. Adicionalmente, cerca de 50 outras organizações da sociedade civil também apoiam a campanha.
Encontro com Janja e Marina Silva
Após o lançamento, Paul Watson e membros da SOS Oceano se reuniram com a primeira-dama Janja da Silva e a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, para apresentar a campanha “Sem Azul, Não Há Verde”.
Na conversa, Marina Silva ressaltou o entusiasmo do presidente Lula e da primeira-dama Janja com a Agenda Azul, focada na conservação marinha. “A própria Janja fez questão de realizar reuniões preparatórias com cientistas, para que a posição do Brasil fosse ancorada na sociedade civil e na ciência”, afirmou a ministra.
A ministra também apontou que a exigência de anuência dos governos estaduais para a criação de novas unidades de conservação é um dos obstáculos. “Hoje, existe um consenso de que, para criar uma reserva marinha ou extrativista, ou um parque, é necessária a anuência dos estados. Em muitos casos, essas áreas não são criadas justamente pela ausência dessa anuência”, explicou.
No caso do Albardão, essa etapa já foi superada. O governo do Rio Grande do Sul, as prefeituras locais e os setores econômicos manifestaram apoio à criação da unidade. No entanto, a proposta aguarda encaminhamento à Presidência da República pelo ministro Rui Costa.
Apesar do Brasil ter expandido significativamente sua área marinha protegida desde 2018, a SOS Oceano alerta que menos de 3% do território oceânico nacional está protegido de forma integral contra atividades exploratórias. Para a aliança, a criação das UCs do Albardão seria um passo importante para o cumprimento das metas do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal e um posicionamento concreto do Brasil em relação à agenda climática da COP-30.






