O comércio exterior em 2026 será marcado por novas tarifas, rotas logísticas redesenhadas e exigências de compliance mais rígidas. Empresas que não se adaptarem rapidamente correm o risco de perder competitividade.
Protecionismo e Volatilidade Cambial
Segundo Thiago Oliveira, CEO da Saygo, o protecionismo, a volatilidade cambial e as mudanças regulatórias estão forçando exportadores e importadores a antecipar decisões estratégicas, focando em dados, automação e diversificação de destinos.
“As empresas que entrarem em 2026 com a mesma lógica de operação de 2024 e 2025 vão perder margem e previsibilidade. A mudança de rota e de exigências não é tendência, é realidade”, destaca Oliveira.
Impacto no Brasil
Consultorias de risco e comércio global preveem que os Estados Unidos e a União Europeia ampliarão mecanismos de defesa comercial em 2026. Enquanto isso, a Ásia e o Oriente Médio reforçarão acordos bilaterais. O Brasil, dependente do fluxo com ambos os blocos, deverá operar em um ambiente mais rígido.
Nesse contexto, a eficiência logística, o compliance e a gestão cambial se tornam fatores críticos para as empresas brasileiras.
A importância da previsibilidade
Oliveira, com mais de duas décadas de experiência no setor, ressalta que o impacto será maior nas empresas com baixa previsibilidade. “Hoje, o erro custa caro. Em um cenário de tarifas adicionais, revisões contratuais e exigências mais técnicas, quem não trabalha com dados, automação e controle de riscos tende a ficar para trás.”
Reorganização das Rotas Marítimas
A reorganização das rotas marítimas, intensificada pelos conflitos no Mar Vermelho e pelos gargalos no Canal do Panamá, continuará a pressionar fretes e prazos. Relatórios indicam que desvios aumentaram o tempo médio de trânsito em até 23%.
Essa instabilidade reforça a necessidade de plataformas integradas de gestão e análise preditiva. “As empresas que conseguem antecipar gargalos e simular cenários conseguem negociar melhor com fornecedores, ajustar contratos e proteger margem. Isso é impossível sem dados e automação”, explica o especialista.
Diversificação de Destinos
A ampliação das tarifas americanas em setores como siderurgia e agroindústria deve levar à revisão de contratos e ao redirecionamento de operações para mercados alternativos. Tendências similares ocorrem na Europa, com bloqueios relacionados à rastreabilidade e sustentabilidade.
A diversificação de destinos, já apontada como essencial, impulsiona a América do Norte (Canadá), o Sudeste Asiático e o Oriente Médio como mercados estratégicos para exportadores brasileiros.
Conformidade Regulatória
A conformidade regulatória se torna tão importante quanto preço e logística devido ao protecionismo e às exigências ambientais. Regras de origem, rastreamento de insumos e histórico fiscal são critérios de acesso a mercados, especialmente na União Europeia.
A maior parte das operações que travam não travam por tarifa, mas por documentação. Uma classificação fiscal errada ou um laudo incompleto pode custar o embarque inteiro. E isso deve se intensificar em 2026.
— Thiago Oliveira, CEO da Saygo
Gestão Cambial
Com a volatilidade contínua do dólar, empresas precisarão operar com mecanismos de hedge e contratos a termo. O objetivo passa a ser a estabilidade operacional, não apenas a redução pontual de custos.
Recomendações para 2026
Especialistas defendem três movimentos imediatos:
- Reestruturar contratos internacionais com cláusulas de flexibilidade cambial e logística.
- Mapear mercados alternativos para reduzir exposição a tarifas e riscos geopolíticos.
- Digitalizar processos operacionais para diminuir erros, agilizar compliance e aumentar previsibilidade.
2026 será o ano em que sobreviverá quem se antecipar. Os movimentos globais estão claros. O desafio é tirar da gaveta o planejamento e transformar em execução.
— Thiago Oliveira, CEO da Saygo






