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Tecnologia acelera o Brasil: tendências para 2026

Tecnologia acelera o Brasil: tendências para 2026

A aceleração da inteligência artificial nas empresas brasileiras transformou as discussões sobre tecnologia. Segundo a AWS, 9 milhões de empresas no país já usam IA de forma sistemática, um aumento de 29% em um ano. No entanto, outras tecnologias avançam em paralelo, preparando o terreno para uma transformação estrutural.

Prioridades tecnológicas para os próximos anos

Para identificar as principais tendências tecnológicas no Brasil a partir do próximo ano, cruzamos dados do Gartner com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Os temas refletem um novo ciclo de prioridades: mais integração, menos improviso; mais segurança, menos hype. Essas tendências devem orientar investimentos de empresas e órgãos públicos até o fim da década.

Das diversas apostas tecnológicas globais, apenas uma fração se aplica à realidade brasileira. Fatores como infraestrutura, regulação e prioridades setoriais moldam o que pode ser escalado localmente. A seleção a seguir foca em tendências com aplicação prática e impacto direto nos desafios e oportunidades do país nos próximos três anos.

Plataformas de desenvolvimento nativas em IA

A forma como empresas desenvolvem software no Brasil está prestes a mudar radicalmente. Plataformas nativas em inteligência artificial, que permitem criar aplicações por meio de prompts em linguagem natural, estão sendo adotadas por startups e grandes empresas. Essa abordagem oferece um atalho para contornar a escassez de desenvolvedores e acelerar a entrega de soluções digitais.

O Gartner aponta essa tendência como uma das principais transformações estratégicas. A expectativa é que a maior parte do código corporativo seja gerado, acelerado ou revisado por IA. Para um país com carência de profissionais especializados, mas com alta demanda por digitalização, o aumento de produtividade pode ser significativo.

Automação inteligente de processos (RPA/IPA)

A busca por eficiência operacional, a escassez de mão de obra qualificada e a pressão por escalabilidade impulsionam a automação de processos nas estratégias de transformação digital no Brasil. Neste ano, a tecnologia evoluiu: o modelo clássico de automação robótica (RPA) agora incorpora recursos de inteligência artificial, dando origem ao IPA (Intelligent Process Automation).

O conceito vai além de bots que replicam cliques: são sistemas que leem documentos, interpretam comandos em linguagem natural, tomam decisões com base em aprendizado de máquina e executam ações integradas entre plataformas. A integração da IA generativa a ferramentas de automação ampliou o acesso a essa tecnologia, antes restrita a grandes empresas, para empresas de médio porte, graças a soluções SaaS, plataformas low-code e orquestradores de automação em nuvem.

Cibersegurança preditiva e plataformas de segurança para IA

A cibersegurança preditiva, já identificada pelo Gartner como tendência estratégica, propõe uma mudança de postura. Em vez de reagir a incidentes após sua ocorrência, as empresas devem atuar de forma antecipada, utilizando algoritmos de previsão, análise comportamental e automação inteligente para bloquear ameaças antes que causem impacto.

No Brasil, essa abordagem ainda é nova, assim como o uso de agentes de IA dedicados à segurança digital. A maior parte das empresas ainda opera com ferramentas reativas, mas essa realidade começa a mudar, impulsionada pelos setores financeiro, telecomunicações e varejo, onde projetos com arquiteturas preditivas já apresentam resultados concretos na redução do tempo de resposta e mitigação de riscos complexos.

Cloud computing e soberania de dados

De acordo com o Panorama Cloud 2025, 77% das empresas brasileiras já utilizam serviços em nuvem, e 61% adotam a nuvem como infraestrutura principal. Essa tendência reflete um movimento global em resposta a riscos geopolíticos, legislações extraterritoriais e disputas por autonomia tecnológica.

A criação da Nuvem de Governo Soberana, infraestrutura oficial lançada pelo governo federal, é um marco dessa inflexão. Operada por estatais com data centers localizados no país, ela abriga sistemas sensíveis da administração pública e já conecta mais de 250 órgãos.

Arquiteturas modernas de dados (Lakehouse + Data Mesh)

O aumento do volume de dados nas empresas brasileiras, juntamente com a necessidade de agilidade e qualidade analítica, acelerou a adoção de novas arquiteturas capazes de romper com os modelos tradicionais de armazenamento e consumo de informação. Data Lakehouse e Data Mesh vêm ganhando espaço em organizações que enfrentam dificuldades com silos, duplicidade de dados e lentidão na entrega de insights.

O Gartner também identifica essa tendência, apontando o lakehouse como uma evolução natural das plataformas de dados e o Data Mesh como uma das abordagens organizacionais mais promissoras para escalar a análise de dados com eficiência.

Análises em tempo real e inteligência de decisões

Tomar decisões com base em dados atualizados deixou de ser vantagem competitiva para se tornar exigência operacional em setores como finanças, varejo e logística.

No Brasil, bancos utilizam análises em tempo real para barrar fraudes, empresas de e-commerce ajustam ofertas conforme o comportamento de navegação, e operadoras de telecomunicações monitoram anomalias na rede com respostas automatizadas. O próximo passo é a adoção da inteligência de decisões (Decision Intelligence), que estrutura a tomada de decisão a partir de modelos analíticos, regras de negócio e machine learning, muitas vezes de forma autônoma. O Gartner considera o Decision Intelligence uma das tendências mais relevantes até 2026.

Modelos de linguagem específicos por domínio (DSLMs)

Com o avanço da inteligência artificial generativa, empresas brasileiras começaram a perceber uma limitação nos modelos de linguagem generalistas. É nesse ponto que os modelos de linguagem específicos por domínio (DSLMs) ganham relevância. Esses modelos são treinados ou ajustados com dados próprios de setores como jurídico, financeiro, saúde ou varejo.

O Gartner prevê que, até 2028, a maior parte das aplicações de IA generativa corporativa será baseada em modelos específicos por domínio, e não em LLMs genéricos. No Brasil, a necessidade de operar em português com precisão e o esforço por manter dados sensíveis dentro do perímetro da empresa reforçam esse movimento.

Conectividade como base da transformação digital

Nenhuma tendência tecnológica se sustenta sem uma infraestrutura de conexão confiável, rápida e distribuída. O Brasil avançou significativamente nesse quesito, com mais de 1.500 municípios com cobertura 5G e cerca de 70% da população com acesso à nova geração de redes móveis. Além disso, o número de conexões por fibra óptica ultrapassou 45 milhões, consolidando o país como líder em banda larga fixa na América Latina.

Apesar dos desafios em áreas rurais e periferias urbanas, a infraestrutura montada nos últimos dois anos preparou o terreno para o próximo salto da digitalização.

Um novo estágio de maturidade digital

Essas tendências revelam um padrão claro: o Brasil está entrando em um novo estágio de maturidade digital, em que eficiência, autonomia, governança e confiabilidade substituem o improviso e o hype vazio. A IA continua central, mas integrada a dados bem estruturados, redes ágeis, arquiteturas flexíveis e ambientes de nuvem sob controle.

Nos próximos três anos, essas camadas estruturantes vão separar as organizações que crescem de forma sustentável daquelas que apenas aderem a modismos. É nesse terreno que a tecnologia se define como eixo de transformação estratégica no Brasil.

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