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IA e Humanidade: Reflexões sobre Escolhas na Era Digital

IA e Humanidade: Reflexões sobre Escolhas na Era Digital

Após um ano de avanços rápidos na inteligência artificial, a escritora Flavia de Assis e Souza propõe uma reflexão sobre o que nos mantém humanos em meio à automação crescente. Em seu artigo, ela aborda a IA como aliada, mas adverte sobre os perigos de um futuro dominado pela eficiência, dados e previsões.

O dilema da inteligência artificial: ser ou não ser?

No artigo “Ser ou não ser: eis a questão na era da inteligência artificial”, Flavia discute ética, propósito, consciência e a necessidade de preservar as relações humanas em um mundo cada vez mais tecnológico. A reflexão se alinha ao momento de balanço de fim de ano e às escolhas para 2026, partindo da premissa de que ser humano na era digital é uma escolha diária.

Diante de um mundo complexo e em constante transformação, a inteligência artificial permeia os âmbitos individual e coletivo de forma avassaladora. As fronteiras do conhecimento humano foram expandidas, ampliando o acesso a dados em tempo real, a interpretação de informações, a criação de cenários e a avaliação de impactos, oferecendo subsídios robustos para a tomada de decisão. Tudo isso em uma escala que supera a capacidade humana isolada.

Os efeitos colaterais da evolução tecnológica

Essa evolução tecnológica traz consigo efeitos colaterais que precisam ser mitigados. O medo da substituição do homem pela máquina é um deles, e pode ser combatido ao enxergar a inteligência artificial como uma aliada, adotando uma postura curiosa e aberta ao novo.

Outros efeitos colaterais são mais desafiadores. Já dizia o imperador romano Marco Aurélio que “as coisas do mundo são uma conexão discreta de elementos dispostos de forma ordenada e harmoniosa.” Este conceito se aplica à conexão entre o ser humano e a inteligência artificial.

A inteligência artificial, sem a ponderação humana, perde o sentido e não é sustentável a longo prazo. O ser humano, em um mundo de excesso de estímulos e falta de propósito, se distrai e se distancia do essencial. No entanto, ao usar a IA com sabedoria e ética, fortalecendo as relações humanas, a combinação do humano com o digital se torna poderosa.

O que as máquinas ainda precisam aprender

Além disso, o ser humano tem muito a ensinar às máquinas. Os desafios do passado não são os mesmos do presente ou do futuro, como as questões climáticas e a saúde mental. A predição, uma das grandes habilidades da IA, baseia-se em dados históricos, o que pode levar à reprodução de vieses e soluções obsoletas.

Assim, novas referências e padrões precisam ser gerados através do ser humano. O sucesso não é um caminho reto, mas sim um processo contínuo de reinvenção, ajuste de rotas e aprendizado constante. Ser humano na era digital é uma escolha diária.

Flavia de Assis e Souza é engenheira e pós-graduada em Qualidade e Produtividade (USP), Marketing (ESPM) e Comércio Exterior (FGV). É autora do livro “Quatorze: Gerações Conectadas”, que aborda o equilíbrio entre progresso e simplicidade.

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