A transformação digital acelerada elevou a segurança da informação a um fator crucial para a continuidade dos negócios. No entanto, muitas empresas continuam a tomar decisões que aumentam os riscos de forma silenciosa. Entre elas, estão operar sistemas sem suporte, adiar atualizações de segurança, manter ambientes sem monitoramento contínuo e ignorar falhas de governança. Especialistas alertam que essas escolhas aparentemente pequenas podem levar a prejuízos significativos em 2026.
Negligência em segurança eleva riscos operacionais
De acordo com Wagner Loch, CTO da Under Protection, empresa com mais de 20 anos de experiência em proteção de ambientes digitais, essa negligência representa um risco direto para a operação. “Quando uma empresa continua usando sistemas sem suporte, ela aceita rodar o negócio com brechas conhecidas e sem correção. É como manter uma porta destrancada mesmo sabendo que há alguém tentando entrar”, afirma o executivo.
A paralisação operacional é um dos impactos mais imediatos. Dependendo do segmento, minutos de indisponibilidade podem comprometer o atendimento, a logística, o faturamento e o relacionamento com clientes. Além disso, em setores regulados, incidentes podem gerar multas, exigências de auditoria e desgaste da reputação. Em muitos dos atendimentos realizados pela Under Protection, empresas afetadas relatam um impacto financeiro superior a meses de investimento preventivo.
As organizações que negligenciam o básico acabam pagando múltiplas vezes mais na recuperação do que teriam investido na prevenção. Segurança não é custo, é garantia de sobrevivência.
— Alberto Teixeira, fundador e Diretor de Novos Negócios da Under Protection
Prevenir é mais barato que remediar
A diferença entre prevenção e recuperação reside na previsibilidade. Investimentos bem direcionados podem reduzir drasticamente o impacto de incidentes. Por outro lado, ambientes sem inventário atualizado, sem monitoramento e sem políticas mínimas tendem a sofrer danos maiores e mais prolongados.
Alberto Teixeira aponta três fatores que explicam por que o custo final de um incidente dispara:
- Falta de monitoramento contínuo, que atrasa a identificação;
- Ausência de controles compensatórios em sistemas descontinuados;
- Hardening negligenciado e políticas desatualizadas.
Os erros mais comuns e custosos
Ao analisar casos reais, Loch reforça que os ataques não ocorrem apenas por alta complexidade técnica, mas, principalmente, pela combinação de decisões equivocadas. “O problema raramente é uma única brecha, mas sim a soma de permissões excessivas, sistemas antigos, processos frágeis e falta de visibilidade. Quando esses pontos se acumulam, o ataque encontra um caminho fácil”, explica.
Sistemas desatualizados
O primeiro erro é manter sistemas sem suporte. Além de vulnerabilidades, isso limita o uso de ferramentas modernas de proteção, como EDRs avançados, dificultando respostas rápidas.
Falta de hardening
O segundo erro é não realizar o hardening. Configurações inseguras, permissões amplas e ausência de segmentação facilitam a movimentação lateral de criminosos dentro do ambiente.
Monitoramento ineficiente
O terceiro erro é não monitorar o ambiente de forma contínua. Sem vigilância 24 horas por dia, incidentes que poderiam ser contidos se transformam em crises complexas, com maior perda de dados, tempo de paralisação e danos à reputação.
Como se proteger em 2026?
Especialistas defendem que a prevenção mais eficiente combina análise profunda de risco, priorização de investimentos e controles sustentáveis. Metodologias como o NG LISA, utilizadas pela Under Protection, avaliam pessoas, processos e tecnologia, identificando vulnerabilidades invisíveis e orientando ações com base no impacto real para o negócio. O modelo oferece relatórios executivos claros, escala de risco comparável a frameworks de governança e um plano de ação priorizado, permitindo reduzir a exposição e evitar surpresas de grande impacto.
Para 2026, recomenda-se uma estrutura que inclua revisão de políticas, testes regulares de restore (com testes funcionais das aplicações), atualização contínua dos fatores de risco através de uma gestão de vulnerabilidades e exposições fortes (incluindo o hardening como processo contínuo), testes de segurança em APIs e aplicações, e conscientização contínua das equipes.






