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Trote no SAMU: quase 400 ligações falsas em Campos Gerais

Trote no SAMU: quase 400 ligações falsas em Campos Gerais

O Consórcio Intermunicipal Samu dos Campos Gerais (CIMSAMU) divulgou um balanço preocupante do primeiro semestre de 2025: foram 398 trotes recebidos pela Central de Regulação Médica de Urgências. Esse número, que se mantém elevado, representa uma ameaça à eficiência do sistema de urgência na região. O impacto dos trotes no SAMU é significativo e merece atenção.

Impacto dos trotes na operação do SAMU

A diretora-geral do CIMSAMU, Emanuelle Schuck, ressalta que os trotes são ainda mais prejudiciais no cenário atual. A Central enfrenta picos de atendimento frequentes, com grande volume de chamadas simultâneas, o que causa espera para os solicitantes, principalmente em ocorrências mais complexas.

Esse número representa um volume inaceitável de falsas ocorrências e reafirma uma preocupação constante sobre o impacto na eficiência da rede de urgência e emergência.

— Emanuelle Schuck, diretora-geral do CIMSAMU

A análise técnica mostra que o problema é constante: foram 82 trotes em janeiro, 54 em fevereiro, 89 em março, 67 em abril, 59 em maio e 47 em junho. As falsas chamadas não ocorrem de forma isolada, mas como um comportamento recorrente.

Prejuízos operacionais e financeiros

Durante os horários de maior demanda, como finais de tarde, noites e fins de semana, a Central de Regulação precisa gerenciar múltiplas urgências simultâneas, redistribuindo ambulâncias e equipes conforme a gravidade dos casos. Nesses períodos, um único trote pode desviar a atenção da equipe, deslocar uma ambulância para uma falsa ocorrência e atrasar o atendimento de um paciente em situação real de risco.

O médico Rodrigo Lagos, da Central de Regulação de Urgências da SMB Gestão em Saúde, explica que cada ligação recebida aciona protocolos rigorosos.

Cada uma dessas ligações aciona um protocolo operacional complexo. Um único trote é capaz de retirar uma ambulância de circulação, retardar o atendimento de uma emergência real e comprometer o fluxo da rede hospitalar.

— Rodrigo Lagos, médico da Central de Regulação de Urgências da SMB Gestão em Saúde

Ele acrescenta que, em momentos de alta demanda, atrasos de minutos podem ser decisivos para o desfecho clínico de um paciente.

Além do impacto assistencial, o prejuízo financeiro também é significativo. Estima-se que cada ocorrência falsa gere um custo médio entre R$400 e R$700, considerando o deslocamento de ambulâncias, o consumo de combustível, o desgaste da frota, a utilização de equipamentos e a mobilização das equipes de saúde.

Implicações legais e conscientização

Do ponto de vista legal, o artigo 266 do Código Penal Brasileiro prevê pena de detenção de um a seis meses, ou multa, para quem acionar falsamente ou perturbar um serviço público. Nos casos em que o trote resulta no atraso ou impedimento do socorro a uma vítima real, o responsável pode responder por omissão de socorro e, em situações extremas, por homicídio culposo, conforme a legislação vigente.

Diante do aumento da demanda, dos períodos de espera e do impacto direto das ligações falsas, o CIMSAMU reforça o alerta: o número 192 deve ser utilizado exclusivamente em situações reais de urgência e emergência. A instituição destaca que a conscientização da população é fundamental para garantir que as equipes possam atuar com rapidez e segurança, evitando que vidas sejam colocadas em risco por ações irresponsáveis.

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