A isenção de anuidade para engenheiros mecânicos que são empreendedores marca uma nova fase para a categoria. Em novembro do ano passado, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) aprovou, por unanimidade, uma resolução que isenta da anuidade de pessoa física os profissionais da área vinculados a seus respectivos conselhos. A condição é que sejam titulares únicos de empresa individual ou equivalente, e que a anuidade da pessoa jurídica esteja regular.
Fim da cobrança duplicada
Na prática, a partir de 1º de janeiro de 2026, engenheiros mecânicos com empresa própria não precisarão pagar duas anuidades, como ocorria antes. Essa mudança visa reduzir custos e eliminar a cobrança em duplicidade. Estima-se que a medida beneficie cerca de 25 mil profissionais e empresas diretamente.
De acordo com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP), a renúncia pode representar até R$ 3 milhões em custos reduzidos para os profissionais somente no estado.
Incentivo ao profissional autônomo
A decisão do Confea formaliza o reconhecimento do engenheiro mecânico que atua como empresário de si mesmo. Este profissional presta serviços técnicos por meio de uma pessoa jurídica, necessitando de um ambiente regulatório compatível com essa realidade. Esse reconhecimento institucional busca reduzir barreiras que desestimulavam a formalização.
No dia a dia, a atuação autônoma do engenheiro mecânico envolve a prestação de serviços técnicos especializados, emissão de laudos, projetos, consultorias e perícias. A isenção da anuidade traz um impacto simbólico relevante, deslocando o foco da burocracia para o valor do trabalho.
Mercado em transformação
A isenção da anuidade não deve ser vista como um benefício isolado, mas como um sinal de que o sistema profissional começa a se adaptar às transformações do mercado. A engenharia mecânica contemporânea exige profissionais capazes de unir conhecimento técnico, visão de negócio e atuação ética. Decisões institucionais como essa ajudam a criar as condições para que esse perfil se desenvolva.
A modernização dessa regra remove uma distorção que penalizava quem investe em um mercado renovado. Em um cenário de mudanças tecnológicas e maior competição, a valorização do engenheiro mecânico empreendedor é fundamental.
Foco no empreendedorismo
É consenso que a cobrança em duplicidade sempre foi injusta para quem atua de forma autônoma ou empresarial. Questionar essa situação impacta diretamente a vida de milhares de engenheiros mecânicos que buscam crescer e empreender.
Além disso, essa iniciativa mostra que o engenheiro mecânico precisa entender mais do que técnica: precisa entender como se colocar como protagonista da própria carreira. A isenção corrige um erro histórico e reconhece a necessidade de modernização da profissão e de foco no empreendedorismo.
A engenharia mecânica tem espaço e pode gerar reconhecimento e faturamento alto, desde que o profissional esteja preparado para jogar o jogo da maneira correta, com visão e estratégia.






