A logística reversa de eletroeletrônicos e eletrodomésticos ganha destaque neste início de ano, período propício para renovar hábitos e compromissos ambientais. Fernando Rodrigues, engenheiro ambiental e gerente de Relações Institucionais da ABREE, ressalta a importância do consumidor nesse processo.
O que é logística reversa?
O processo de logística reversa consiste no retorno dos produtos após o uso pelo consumidor para o setor empresarial. O objetivo é garantir o reaproveitamento e a destinação final ambientalmente adequada dos materiais. Dessa forma, o fluxo tradicional é invertido, coletando itens para reinseri-los nos ciclos produtivos, reduzindo a extração de matéria-prima e promovendo a economia circular.
No caso dos eletroeletrônicos, essa necessidade é ainda mais urgente. O Brasil é o maior gerador desse tipo de resíduo na América Latina, com cerca de 2,4 milhões de toneladas por ano, segundo dados da ONU. Contudo, apenas uma pequena parcela desse volume é destinada por meio de sistemas formais e ambientalmente adequados. Ou seja, há um enorme potencial de avanço.
O papel do consumidor na logística reversa
É importante ressaltar que, embora o processo envolva empresas e órgãos ambientais, o consumidor é quem determina o sucesso do sistema. Afinal, nenhum sistema de logística reversa será bem-sucedido se o produto descartado não chegar ao destino correto. É nesse momento que a escolha do consumidor se torna determinante.
Guardar equipamentos sem uso, descartá-los na coleta regular ou jogá-los no meio ambiente impede a reinserção no ciclo da economia circular. Consequentemente, há um desperdício de materiais valiosos e ampliação dos riscos ambientais e à saúde pública.
Impactos positivos do descarte correto
Quando o consumidor opta por descartar corretamente um aparelho em desuso, ele contribui para uma cadeia de impactos positivos. Eletroeletrônicos contêm metais como cobre e alumínio, cuja extração exige grande consumo de energia e gera impactos ambientais relevantes. Além disso, alguns equipamentos contêm substâncias tóxicas, como chumbo, mercúrio e cádmio, que podem contaminar o solo e a água se descartados incorretamente.
Ao escolher um ponto de recebimento de resíduos eletroeletrônicos e eletrodomésticos, o consumidor ajuda a evitar que esses materiais sejam lançados no meio ambiente ou manuseados sem controle técnico, protegendo a saúde das pessoas e dos ecossistemas.
Avanços e desafios da logística reversa no Brasil
O Brasil avançou nos últimos anos com a estruturação de sistemas de logística reversa, impulsionados pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e por acordos setoriais que envolvem fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. No entanto, a capilaridade só se transforma em resultados concretos com a participação ativa do consumidor.
O início do ano é um momento simbólico para essa mudança de atitude. Em meio à organização da casa, à substituição de equipamentos e à busca por hábitos mais sustentáveis, surge a oportunidade de dar destino adequado a celulares antigos, notebooks quebrados ou eletrodomésticos sem uso. Cada item corretamente descartado representa mais materiais reaproveitados e um passo concreto rumo a um modelo de descarte mais responsável.
A transição para uma economia circular não depende somente de tecnologias ou de marcos regulatórios. Ela se constrói a partir de decisões cotidianas. O consumidor brasileiro já demonstrou, em outras frentes, capacidade de engajamento quando entende o impacto de suas escolhas. Na logística reversa, não é diferente: ao optar pelo descarte correto, ele deixa de ser apenas o começo da cadeia e passa a ser parte ativa da solução.
— Fernando Rodrigues, engenheiro ambiental e gerente de relações institucionais da ABREE
Em 2026, mais do que renovar promessas, é tempo de transformar intenção em prática. A logística reversa começa em casa e o futuro do meio ambiente e das próximas gerações depende das escolhas que fazemos agora.






