Aprovado provisoriamente, o acordo Mercosul-União Europeia (UE) inaugura uma nova fase para as empresas brasileiras. A redução de tarifas e as mudanças tributárias exigem maior preparo para enfrentar a concorrência internacional. O advogado e contador Marcos Pelozato analisa como o tratado impacta os negócios.
Impactos do acordo Mercosul-UE nas empresas
O tratado exige estrutura, planejamento tributário, governança e eficiência operacional. O objetivo é que o acesso a um mercado de mais de 450 milhões de consumidores se traduza em resultado financeiro efetivo. A pauta discute proteção jurídica, organização empresarial e os riscos para negócios que operam sem estrutura em um ambiente mais aberto e regulado.
Na prática, o acordo amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, mas condiciona esse acesso ao cumprimento de padrões regulatórios, ambientais e fiscais mais elevados.
O acordo não protege empresas ineficientes. Ele protege negócios organizados, com estrutura tributária clara, controle financeiro e capacidade de atender a regras internacionais.
— Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em estratégia empresarial
Planejamento tributário estratégico
Um dos principais impactos está no campo tributário. A redução gradual de tarifas de importação e exportação tende a melhorar margens, mas apenas para empresas que compreendem a composição de seus custos e a incidência de tributos ao longo da cadeia.
Sem planejamento tributário, o empresário pode até ganhar mercado, mas perder rentabilidade. O acordo exige leitura técnica para transformar benefício comercial em resultado financeiro.
— Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em estratégia empresarial
Além disso, o tratado aumenta a exposição das empresas brasileiras à concorrência europeia dentro do mercado interno. Isso reforça a necessidade de proteção por meio de eficiência operacional, revisão de contratos, reorganização societária e uso correto de regimes fiscais.
A abertura comercial amplia a competição. Quem não se estrutura fica vulnerável, inclusive dentro do próprio país.
— Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em estratégia empresarial
Visão estratégica e conformidade
Para tirar vantagem do novo cenário, empresários precisam enxergar o acordo como um projeto estratégico, e não apenas como uma oportunidade pontual de exportação. Isso envolve mapear produtos com potencial competitivo, adequar processos produtivos, investir em compliance e estruturar a empresa para dialogar com parceiros internacionais.
O empresário precisa pensar como uma empresa global, mesmo atuando localmente. Isso passa por governança, controle de passivos e previsibilidade.
— Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em estratégia empresarial
Outro ponto sensível é a proteção jurídica e financeira do negócio. Com mais integração entre mercados, aumentam também os riscos contratuais, cambiais e operacionais. Estruturas frágeis tendem a sofrer mais em ambientes abertos.
O acordo premia quem tem organização e pune quem opera no improviso. A empresa precisa estar preparada para crescer sem perder controle.
— Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em estratégia empresarial
Conclusão: Acordo Mercosul-UE
Na avaliação do especialista, o maior erro do empresário brasileiro é enxergar o acordo apenas como um benefício externo, distante da realidade do dia a dia.
Esse tratado muda a lógica interna das empresas. Ele exige profissionalização, planejamento tributário contínuo e visão de longo prazo. Quem entender isso primeiro sai na frente.
— Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em estratégia empresarial
Mais do que ampliar mercados, o acordo Mercosul-União Europeia redefine o padrão de sobrevivência empresarial. Em um ambiente mais aberto e regulado, vantagem competitiva deixa de ser preço e passa a ser estrutura.






