No Dia Internacional da Proteção de Dados, 28 de janeiro, o Brasil se destaca tanto pelo avanço na digitalização financeira quanto pela vulnerabilidade a ataques cibernéticos. Com cerca de 300 milhões de registros de brasileiros expostos na dark web, o país enfrenta um desafio crescente na proteção de dados.
O Cenário da Segurança Cibernética no Brasil
Um levantamento da Proton, através do Dark Web Observatory, revelou a alarmante quantidade de dados pessoais de brasileiros já expostos. Além disso, o relatório da IBM aponta que o custo médio de uma violação de dados no Brasil alcançou R$ 7,19 milhões, colocando o país entre os mais caros em vazamento de informações.
Para Fernando Corrêa, especialista em segurança cibernética e CEO da Security First, a situação exige uma análise estrutural:
O Brasil passou a atrair mais atenção de grupos maliciosos à medida que avançou rapidamente na digitalização de serviços essenciais, como pagamentos, crédito e compartilhamento de dados. Esse movimento trouxe muitos ganhos, mas também criou desafios importantes em segurança da informação, que ainda evoluem em ritmos diferentes entre setores — Fernando Corrêa, CEO da Security First
Corrêa também destaca que grandes vazamentos de dados, a expansão do PIX e do Open Finance, combinados com diferentes níveis de maturidade em proteção de dados entre empresas, contribuem para as fragilidades no ecossistema digital brasileiro.
A Digitalização Acelerada e seus Impactos
O Brasil se tornou um importante centro de inovação financeira, impulsionado pelo sucesso do PIX, que registrou 313,3 milhões de transações em um único dia. O Open Finance também teve um crescimento notável, ultrapassando 143 milhões de consentimentos ativos.
No entanto, essa rápida digitalização ampliou a “superfície de ataque”, com empresas lidando com grandes volumes de dados sensíveis. Incidentes de segurança podem se propagar rapidamente, resultando em fraudes mais complexas.
De acordo com Fernando Corrêa, da Security First:
Empresas de diferentes setores passaram a lidar diariamente com grandes volumes de dados sensíveis, que vão desde informações cadastrais até hábitos de consumo e preferências pessoais. Quando ocorrem incidentes de segurança, os impactos tendem a se propagar com mais rapidez, favorecendo fraudes mais complexas — Fernando Corrêa, CEO da Security First
Setor Financeiro: Alvo Principal
O Security Report 2025 da Check Point Software revelou que cada instituição financeira brasileira sofreu, em média, 1.752 ciberataques por semana entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025. Este número coloca o Brasil no topo do ranking global de ataques ao setor financeiro.
Casos Relevantes
Um exemplo notório foi a invasão à C&M Software, que comprometeu contas de reserva de várias instituições financeiras.
Murilo Rabusky, diretor de Negócios da Lina Open X, ressalta a importância da conscientização sobre o valor dos dados:
É fundamental que empresas e consumidores compreendam o valor dos dados que produzem e compartilham. Nome, endereço, histórico financeiro e hábitos de consumo precisam ser tratados como ativos críticos, em conformidade com a LGPD — Murilo Rabusky, diretor de Negócios da Lina Open X
Fraudes e a Migração para Novos Meios
O avanço dos meios digitais de pagamento, como carteiras digitais, PIX e criptoativos, trouxe eficiência e inclusão financeira. Contudo, também atraiu tentativas de uso indevido por criminosos.
Apesar dos esforços para impedir fraudes, o setor financeiro registrou um aumento de 21,5% nas fraudes em 2025, impulsionado por golpes envolvendo transferências instantâneas e mensagens falsas.
Segundo a Serasa Experian, a expectativa era impedir que, até o final de 2025, mais de R$ 70 bilhões chegassem às mãos de golpistas.
Ransomware e Inteligência Artificial
O ransomware e o uso da Inteligência Artificial (IA) para golpes digitais são ameaças crescentes. As perdas globais causadas por fraudes digitais podem atingir US$ 400 bilhões até 2027.
Lucas Monteiro, Martech Leader da Keyrus, explica:
As táticas de fraude estão em constante evolução, com criminosos utilizando tecnologias cada vez mais avançadas para enganar sistemas e pessoas. Isso gera perdas financeiras relevantes, aumento de custos operacionais, sobrecarga das equipes com investigações manuais, além de impacto direto na confiança de clientes e parceiros — Lucas Monteiro, Martech Leader da Keyrus
No Brasil, os deepfakes cresceram significativamente, com casos de uso da IA para fraudes financeiras se tornando mais comuns.
LGPD e Conscientização
Apesar dos avanços na legislação, muitas empresas ainda não estão totalmente adequadas à LGPD. Além disso, uma parcela significativa da população desconhece a lei ou já foi vítima de golpes digitais.
Para Lucas Monteiro, da Keyrus:
Quando um consumidor compartilha dados em um e-commerce ou programa de fidelidade, ele precisa ter segurança. Ao mesmo tempo, as empresas precisam desses dados para personalizar experiências. O desafio está em criar um ambiente de confiança, com anonimização, consentimento claro e políticas robustas de segurança — Lucas Monteiro, Martech Leader da Keyrus
Rumo a um Futuro Mais Seguro
O avanço da digitalização financeira não deve ser interrompido, mas precisa ser acompanhado de governança, segurança e transparência. Proteger informações deve ser um compromisso de empresas, governos e da sociedade.
De acordo com Fernando Corrêa, da Security First:
A transformação digital é irreversível e trouxe ganhos inegáveis para a economia brasileira. Mas, sem segurança, governança e responsabilidade no uso dos dados, o país continuará ampliando sua exposição. Proteger informações precisa se tornar um compromisso inegociável de empresas, governos e da própria sociedade — Fernando Corrêa, CEO da Security First






