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Democratização de dados: autonomia e risco em equilíbrio

Democratização de dados: autonomia e risco em equilíbrio

Nos últimos anos, empresas brasileiras de diversos setores têm adotado a cultura data-driven em busca de agilidade e vantagem competitiva. Ferramentas de análise e iniciativas de Business Intelligence (BI) colocaram nas mãos de profissionais de negócios grandes volumes de dados, antes restritos a áreas técnicas. Essa descentralização aumenta a rapidez e a assertividade estratégica, impulsionando a produtividade, a confiança nas análises e a eficiência em projetos envolvendo Inteligência Artificial e automação.

O desafio da democratização de dados

Apesar dos ganhos, surgem novos desafios. Sem estruturas adequadas, mais acesso pode significar mais riscos. Pesquisas revelam que menos de 13% das empresas brasileiras desenvolveram uma cultura data-driven avançada. Essa lacuna mostra que a maioria ainda não consegue utilizar seus dados de forma eficaz e segura para embasar decisões estratégicas. Democratizar dados com responsabilidade tornou-se um imperativo no contexto atual.

Ao permitir que mais pessoas acessem os dados, as organizações ganham agilidade, mas enfrentam uma tensão entre autonomia e risco. Sem diretrizes claras, o acesso amplo pode levar a situações indesejadas, como múltiplas versões da verdade, relatórios inconsistentes, análises conflitantes e decisões baseadas em dados divergentes.

Além disso, o problema tem se materializado em incidentes de segurança e falhas de compliance. Apenas 4 em cada 10 empresas brasileiras possuem uma estratégia formal de governança de dados, e 87% enfrentam baixa maturidade na gestão da informação. Este cenário eleva os riscos de vazamentos, penalidades legais e perda de vantagem competitiva.

Casos recentes de violação de dados, incluindo órgãos públicos e grandes varejistas, ressaltam o impacto de estruturas fragilizadas de governança. Colaboradores bem-intencionados, munidos de ferramentas de self-service BI, podem acessar dados sensíveis sem autorização ou compartilhar informações indevidas, expondo a empresa a infrações da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a danos reputacionais.

A importância da governança de dados

Para equilibrar liberdade de uso com proteção, as empresas brasileiras estão voltando suas atenções à governança de dados. A governança vai muito além de armazenar dados com segurança: envolve criar políticas, processos e controles que assegurem a integridade, o uso ético e a disponibilidade da informação certa, na hora certa, para as pessoas certas.

Um componente fundamental dessa governança é a classificação da informação. Classificar dados significa atribuir níveis de sensibilidade e criticidade a cada ativo informacional – pessoais, confidenciais, restritos, públicos etc. – definindo como devem ser manejados.

Essa prática é essencial para identificar quais informações exigem proteção reforçada e aplicar controles proporcionais à importância de cada conjunto de dados. Por exemplo, dados cadastrais de clientes e informações financeiras internas demandam tratamento muito mais rigoroso do que dados públicos.

A LGPD reforça essa necessidade ao distinguir dados pessoais de dados sensíveis, exigindo cuidado extra no tratamento destes últimos. De fato, os princípios da LGPD incluem segurança e prevenção, isto é, adoção de medidas técnicas e administrativas para proteger os dados contra acessos não autorizados ou acidentais. A lei impõe que as organizações reestruturem suas práticas de governança alinhadas a esses princípios.

Soluções para uma democratização segura

Para que a democratização de dados ocorra de forma segura, é indispensável estabelecer uma governança sólida da informação nas empresas. Soluções integradas de gestão do ciclo de vida da informação têm se mostrado eficazes nesse sentido, garantindo controle desde a criação de cada documento ou dado até a sua destinação final, incluindo a eliminação segura. Tais soluções permitem aplicar políticas uniformes de acesso, retenção e descarte, eliminando lacunas que antes geravam riscos e desperdícios de tempo e recursos.

Com essa base estabelecida, torna-se viável promover a democratização segura da informação nas empresas por meio de plataformas unificadas de gestão documental. Ao digitalizar acervos físicos e consolidar conteúdos em repositórios centralizados, dados críticos podem ser disponibilizados amplamente sem abrir mão do controle e da segurança.

Dessa forma, usuários autorizados conseguem localizar e acessar rapidamente as informações de que necessitam, a qualquer momento e lugar, aumentando a agilidade e a eficiência nos processos decisórios. Mecanismos de controle, como trilhas de auditoria e permissões de acesso granulares, asseguram que o uso dos dados permaneça em conformidade com as políticas corporativas e os requisitos regulatórios vigentes.

Promover o acesso amplo à informação sem perder de vista a governança, a segurança e a conformidade é um movimento que exige maturidade estrutural e visão de longo prazo. Empresas que tratam dados como ativos estratégicos sabem que democratizar não é simplesmente liberar, mas construir um ecossistema em que cada dado esteja disponível no contexto certo, para a pessoa certa, com rastreabilidade e proteção desde a origem até o uso final.

— Inon Neves, vice-presidente da Access

Nesse cenário, os líderes de TI têm papel central: orquestrar tecnologias, processos e políticas que viabilizem uma cultura de dados distribuída e segura, onde autonomia não signifique vulnerabilidade, mas sim inteligência operacional sustentada por controle.

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