A lógica de que “em time que está ganhando não se mexe” já não se aplica à cibersegurança. A manutenção de sistemas legados e a falta de evolução digital têm ampliado o risco de ataques cibernéticos e paralisações operacionais nas empresas. Dados do setor mostram que a maioria dos incidentes recentes teve origem em ambientes desatualizados, com falhas conhecidas e sem governança contínua. Em 2026, a inércia digital representará um risco estrutural para empresas de diversos setores.
Por que a inércia digital é um risco?
A diferença entre o mundo analógico e o digital explica esse cenário. Em operações físicas, processos consolidados reduzem variáveis e aumentam a previsibilidade. No ambiente digital, ocorre o oposto: novas vulnerabilidades surgem continuamente, técnicas de ataque evoluem, e sistemas que não acompanham esse ritmo tornam-se mais fáceis de mapear e explorar.
No digital, estabilidade não é sinônimo de proteção. Um ambiente que não evolui fica previsível, e previsibilidade é exatamente o que o atacante procura.
— Hesron Hori, sócio e diretor de Risk Assessment da Under Protection
Tecnologias fora de suporte aumentam a vulnerabilidade
O risco se intensifica quando tecnologias fora de suporte são utilizadas. Sistemas legados deixam de receber correções de segurança, mas permanecem conectados a redes corporativas, fornecedores e parceiros. Na prática, continuam operando, mas com um nível de exposição crescente, já que novas falhas são conhecidas sem correção disponível.
Esses ambientes são atrativos para criminosos. Ataques de ransomware e extorsão digital priorizam organizações com estruturas antigas, pois a capacidade de resposta costuma ser menor e o impacto operacional, maior. O atacante não escolhe a empresa pelo porte, mas pela facilidade de exploração e dificuldade de reação.
A importância da governança
Além da tecnologia, a governança é um ponto crítico. A ausência de revisões periódicas de risco, testes de intrusão e simulações de crise faz com que decisões estratégicas sejam tomadas com base em diagnósticos desatualizados. O problema não é errar na tecnologia, mas errar na leitura do risco real.
Em 2026, a transformação digital deixa de ser apenas uma agenda de eficiência e passa a ser central na gestão de riscos. Atualizar sistemas, revisar arquiteturas e investir em governança contínua não são mais escolhas opcionais, mas medidas de proteção do negócio. No mundo digital, não mexer é escolher assumir um risco que cresce diariamente.






