A recente introdução do agente de inteligência artificial OpenClaw, antes conhecido como Moltbot e Clawdbot, serve como um estudo de caso sobre os riscos da adoção apressada de tecnologias emergentes. O alerta é de Wilson Silva, especialista em IA e Marketing, Mestre em Gestão de Negócios pela FIA, Coordenador do MBA em Marketing e IA da Faculdade Impacta, Professor de Administração na ESPM e CEO da WS Labs.
Entenda o caso OpenClaw
Em menos de 72 horas, a ferramenta de código aberto, que promete autonomia para executar tarefas diretamente no computador do usuário, passou por uma viralização explosiva e uma mudança de nome forçada por questões legais com a Anthropic (criadora do modelo Claude). Além disso, sua identidade digital foi sequestrada para a promoção de golpes com criptomoedas. Especialistas em segurança digital identificaram graves vulnerabilidades, classificando a ferramenta como um “pesadelo de segurança” em potencial.
O que vimos com o OpenClaw foi a anatomia de um ciclo de ‘hype’ acelerado, onde o entusiasmo por uma promessa tecnológica superou a necessária diligência em segurança e estabilidade.
— Wilson Silva, especialista em IA e Marketing
A capacidade de um agente de IA de ‘agir’ em vez de apenas ‘responder’ é, sem dúvida, o próximo passo da tecnologia. Contudo, essa capacidade, que envolve acesso irrestrito a arquivos, credenciais e ao sistema operacional, cria uma superfície de ataque imensamente maior do que a dos chatbots tradicionais.
O que difere o OpenClaw de outros modelos de IA?
O principal diferencial do OpenClaw é sua natureza como “agente autônomo”. Diferente de modelos como o ChatGPT, que operam em ambientes isolados na nuvem, um agente como o OpenClaw é instalado localmente, com permissões para interagir com outros softwares, e-mails e arquivos. Essa arquitetura, embora poderosa, foi implementada sem as salvaguardas de segurança robustas que um acesso tão profundo exige, levando à exposição de centenas de instâncias de usuários na internet.
Este episódio destaca uma lacuna crítica entre a vanguarda do desenvolvimento de IA, muitas vezes em projetos de código aberto, e a maturidade necessária para uma adoção segura pelo público em geral. A corrida por visibilidade no cenário digital pode levar à divulgação de ferramentas que não estão prontas para o uso massivo, e o público precisa desenvolver um ceticismo saudável, buscando fontes que priorizem a análise técnica em detrimento do sensacionalismo.
— Wilson Silva, CEO da WS Labs
Palestrante no Web Summit Rio 2025 e no AI Brasil Experience 2025, Wilson Silva continua levando essa discussão sobre a aplicação estratégica e segura da Inteligência Artificial para os principais palcos do país, defendendo uma abordagem que equilibre inovação com governança e responsabilidade.






