A era da água barata acabou. Durante décadas, a indústria brasileira operou sob o dogma de que a água era um recurso infinito. Mas esse cenário mudou. Agora, o reuso é a única saída estratégica para a sobrevivência no mercado, sob o risco de ver a operação secar.
Brasil: potência hídrica com estresse em polos produtivos
O Brasil é uma potência hídrica, mas a abundância não se traduz em disponibilidade para a indústria. O estresse hídrico em polos produtivos, somado à instabilidade climática, criou uma insegurança operacional. Hoje, a pergunta não é quanto custa a água, mas quanto custa para a empresa ficar um dia com a produção parada por falta dela.
Segundo Francisco Carlos Oliver, diretor técnico e comercial da Fluid Feeder, tratar a água e o efluente não deve ser visto como um “mal necessário” para cumprir legislações ambientais, mas como uma estratégia de mitigação de risco e eficiência de custo operacional.
Quando implementamos tecnologias de dosagem de precisão e sistemas avançados de tratamento, estamos criando uma “seguradora hídrica” dentro da fábrica. O efluente que antes era descartado torna-se um ativo precioso que retorna ao processo.
— Francisco Carlos Oliver, diretor técnico e comercial da Fluid Feeder
Para Oliver, essa estratégia reduz drasticamente a dependência de fontes externas e protege o fluxo de caixa contra aumentos tarifários abusivos.
Confiabilidade como palavra-chave
Para que o reuso funcione, a palavra-chave é confiabilidade. Não há espaço para amadorismo quando a água de reuso entra em contato com máquinas de alto valor ou processos sensíveis. A digitalização e o controle rigoroso da dosagem de produtos químicos garantem que a água recuperada tenha a qualidade exata para sua nova função, sem riscos de corrosão ou contaminação.
Além disso, o reuso é a aplicação máxima da economia circular: nada se perde, tudo se transforma em valor. As empresas que adotaram essa mentalidade estão se tornando mais competitivas, com custos de produção mais previsíveis e uma imagem institucional blindada perante investidores e consumidores que exigem práticas reais de ESG.
O futuro da indústria não permite mais o desperdício. O gestor que ainda espera a crise hídrica bater à porta para pensar em tratamento de efluentes está administrando o declínio de sua própria empresa.
Em suma, o reuso não é mais uma opção para o futuro, é a condição para o presente. Investir em autonomia hídrica é garantir que a produção continue fluindo, independentemente das incertezas do clima ou das tarifas. Afinal, em um mercado cada vez mais apertado, a água mais cara é aquela que você não tem.






