A reforma tributária aprovada pelo Congresso começa a impactar os vendedores de marketplace a partir de 2026, alterando a rotina de quem atua nesses canais no Brasil. O impacto atinge a formação de preços, fluxo de caixa, a relação com fornecedores e a estrutura das operações. Para quem opera de maneira informal ou sem controle financeiro, o risco é ver o lucro desaparecer.
Novo sistema de IVA e transição gradual
O novo modelo cria um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, formado pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substitui ICMS e ISS, e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que unifica PIS e Cofins. A transição será gradual entre 2026 e 2033, período em que empresas precisarão conviver com o sistema antigo e o novo, aumentando a complexidade fiscal.
Esse cenário afeta diretamente os marketplaces, que concentram grande parte do comércio eletrônico nacional. Dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) indicam que o e-commerce brasileiro cresceu mais de 9% em 2025, movimentando mais de R$200 bilhões, com forte participação de pequenos e médios sellers operando com margens reduzidas.
Impacto da reforma tributária nos marketplaces
Especialista em vendas online e marketplaces, Hugo Vasconcelos, CEO da VDV Group, avalia que a reforma expõe fragilidades históricas do setor.
Muitos vendedores nunca calcularam corretamente imposto na formação de preço. Com o novo modelo, esse erro fica visível no caixa. Quem não se organizar vai vender mais e ganhar menos.
— Hugo Vasconcelos, CEO da VDV Group
Pressão sobre preços e capital de giro
Um dos principais impactos está no fim da cumulatividade de tributos. Em tese, o novo sistema permite o aproveitamento de créditos ao longo da cadeia. Na prática, apenas sellers com fornecedores regulares, notas fiscais corretas e contabilidade estruturada conseguirão se beneficiar. Quem compra de forma informal tende a perder crédito e competitividade.
Além disso, o fluxo de caixa é outro ponto sensível. Estudos do Insper mostram que mudanças no regime de crédito e débito tributário costumam gerar descasamento financeiro, principalmente em negócios com alto giro e margens estreitas — perfil típico dos marketplaces. O vendedor pode ter de recolher imposto antes de receber integralmente pelas vendas, pressionando o capital de giro.
Como os vendedores podem se precaver
A principal estratégia é profissionalizar a operação. Isso envolve mapear custos reais, revisar fornecedores, organizar estoque e simular cenários de precificação já considerando o novo modelo tributário. Antecipar ajustes reduz o risco de operar com margem negativa sem perceber.
Buscar apoio contábil especializado também se torna essencial. Contadores com experiência em e-commerce e marketplaces ajudam a definir o regime tributário mais adequado, estruturar o aproveitamento de créditos e organizar o fluxo de pagamento de impostos ao longo da transição.
Não é só uma decisão fiscal, é estratégica. O seller precisa entender como cada imposto impacta o preço final e a competitividade dentro do marketplace, onde a comparação é imediata.
— Hugo Vasconcelos, CEO da VDV Group
Emissão de nota fiscal ganha peso estratégico
A emissão correta de notas fiscais passa a ser central no novo sistema. Erros, atrasos ou omissões podem impedir o aproveitamento de créditos e gerar autuações. Além disso, marketplaces tendem a reforçar exigências de conformidade, exigindo integração correta entre vendas, faturamento e recolhimento de tributos.
Para o vendedor, isso significa investir em sistemas de gestão, automação fiscal e integração entre plataformas de venda e contabilidade. A informalidade, que ainda existe em parte do setor, tende a ser penalizada com mais rigor.
Onde buscar ajuda para a reforma tributária
Além do suporte contábil, especialistas recomendam capacitação específica em gestão de marketplace. Programas de educação empresarial, consultorias e mentorias voltadas ao comércio eletrônico ajudam os sellers a entender o impacto da reforma, reorganizar processos e tomar decisões baseadas em números, não apenas em volume de vendas.
A reforma não acaba com o marketplace, mas muda as regras do jogo. Quem se preparar agora entra em 2026 com vantagem. Quem ignorar, vai sentir no preço, no caixa e na capacidade de competir.
— Hugo Vasconcelos, CEO da VDV Group
Com a entrada em vigor do novo sistema tributário, 2026 tende a marcar um divisor de águas no comércio eletrônico brasileiro. Mais do que uma mudança fiscal, a reforma impõe uma transformação na forma de gerir, precificar e sustentar operações dentro dos marketplaces.






