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Autocuidado nas redes: bem-estar real X performance

Autocuidado nas redes: bem-estar real X performance

Banhos relaxantes, rotinas matinais impecáveis e agendas equilibradas. Nas redes sociais, o autocuidado ganhou estética, trilha sonora e hashtags próprias. Contudo, longe dos filtros, essa narrativa idealizada produz um efeito colateral silencioso: ansiedade e sensação de fracasso emocional.

Autocuidado como exigência?

De acordo com Núria Santos, especialista em inteligência emocional e mentora pelo método Evo, o problema não está no incentivo ao autocuidado, mas na forma como ele é apresentado no ambiente digital. “O autocuidado que se popularizou nas redes é, muitas vezes, superficial e desconectado da realidade emocional das pessoas. Ele cria a falsa ideia de que equilíbrio é um estado permanente”, explica.

Quando o autocuidado passa a ser retratado como uma sequência de hábitos perfeitos, ele deixa de ser um recurso de saúde emocional e se transforma em mais uma exigência cotidiana. A comparação constante com rotinas irreais reforça sentimentos de inadequação e pressão emocional, especialmente em um contexto de excesso de estímulos digitais.

A culpa silenciosa

Para Núria, o impacto mais profundo está na culpa silenciosa que se instala quando alguém não consegue corresponder a esse modelo idealizado. “Quando o descanso vira meta e não necessidade, o autocuidado deixa de ser acolhimento e passa a ser cobrança. Isso adoece emocionalmente, porque a pessoa sente que está falhando até quando tenta cuidar de si”, afirma.

A especialista reforça que o verdadeiro autocuidado começa pelo desenvolvimento da consciência emocional, a capacidade de reconhecer limites, respeitar emoções e aceitar que nem todos os dias serão leves ou produtivos. Em vez de performance, o cuidado consigo deve ser um processo individual, flexível e possível.

Cuidar de si não é seguir fórmulas prontas, mas construir uma relação mais honesta com as próprias necessidades emocionais.

— Núria Santos, especialista em inteligência emocional

Em um cenário onde o bem-estar virou conteúdo, Núria Santos defende uma revisão urgente do conceito.

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