Com o fim do Carnaval, muitos candidatos entram na fase de retomar os estudos para concurso público. No entanto, é nesse período que muitos cometem erros que podem comprometer meses de preparação. Marco Antonio Araujo Jr., presidente da Associação de Apoio aos Concursos e Exames (Aconexa), preparou cinco dicas práticas e realistas para evitar esses tropeços.
Não espere a segunda-feira perfeita
A primeira recomendação do especialista é simples: não espere o momento ideal para começar. Segundo ele, o maior erro pós-Carnaval é tentar iniciar com um cronograma impecável e irrealizável. “O candidato não precisa começar perfeito, mas precisa começar. Um plano mínimo viável, com três disciplinas, metas semanais claras e uma carga horária compatível com a vida real, já é suficiente para ganhar tração. O perigo está em montar um cronograma bonito demais para funcionar”, afirma.
Defina o concurso-alvo
Outra orientação crucial é definir o concurso-alvo antes de qualquer planejamento. Marco Antonio destaca que estudar “para concurso” é diferente de estudar “para um concurso”. Isso muda a escolha da banca, o perfil de cobrança, o nível de profundidade e a distribuição de horas de estudo. “Quem começa sem alvo tende a dispersar energia. É como correr sem saber para onde: a motivação se perde rápido”, explica.
Questões desde o primeiro dia
O especialista também reforça que resolver questões deve fazer parte da rotina desde o primeiro dia. Muitos candidatos deixam essa etapa para depois de “fechar o edital”, perdendo um dos métodos mais eficientes para aprender e reter conteúdo. “Questão não é etapa final, mas método de estudo. A teoria ganha vida quando se conecta com a prática — e, de preferência, com questões da banca do concurso-alvo”, diz.
Não estude mais do que consegue sustentar
A quarta dica é um alerta ao entusiasmo excessivo típico do pós-Carnaval: não comece estudando mais do que consegue sustentar. Araujo Jr. menciona que tentar iniciar com 6 a 8 horas diárias é um erro clássico. “O cérebro não acompanha. É muito melhor começar com 2 ou 3 horas líquidas e construir um hábito sólido. Concurso é maratona. Regularidade vence motivação. Constância vale mais do que intensidade”, enfatiza.
Concurso é projeto profissional
Por fim, o presidente da Aconexa reforça que estudar para concurso é um projeto profissional, não um hobby. Isso inclui ambiente organizado, controle de horas, revisões programadas e métricas de desempenho, como percentual de acertos nas questões. “A aprovação exige uma postura profissional. Concurso é um projeto de médio prazo, e quem trata como passatempo dificilmente chega aonde quer”, conclui.
As recomendações, segundo ele, são especialmente valiosas neste momento do ano, quando a energia pós-folia costuma conviver com ansiedade e excesso de expectativas. Para ele, o segredo está em transformar o impulso inicial em rotina sustentável. “O Carnaval acaba, mas o estudo precisa continuar. E continuar do jeito certo”, afirma.
O Carnaval acaba, mas o estudo precisa continuar. E continuar do jeito certo.
— Marco Antonio Araujo Jr, presidente da Aconexa






