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Falta de processos claros prejudica negócios em Natal, aponta estudo

Falta de processos claros prejudica negócios em Natal, aponta estudo

Um levantamento recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que o setor de serviços representa mais de 70% do PIB brasileiro. No entanto, em Natal, o crescimento da base de clientes tem exposto um gargalo recorrente: empresas que ampliam a demanda sem estruturar processos, o que acaba pressionando prazos, margens e a qualidade dos serviços prestados.

Impacto da falta de padronização

Hygor Lima, especialista em gestão de processos e fundador da Potencialize Resultados, observa que a operação cresce mais rápido do que a capacidade de organização interna. Ele explica que até 25% do tempo produtivo pode ser perdido com retrabalho quando não há padronização de rotinas.

Quando o aumento da demanda não vem acompanhado de processos claros, a empresa entra em modo reativo. Tudo vira urgência, as equipes refazem tarefas e a margem começa a desaparecer.

— Hygor Lima, especialista em gestão de processos

Esse cenário é comum em empresas locais de serviços, clínicas, escritórios contábeis e negócios digitais que passaram a atender mais clientes sem revisar fluxos, responsabilidades e critérios de entrega. Como resultado, os prazos deixam de ser previsíveis, as decisões ficam concentradas no dono e erros simples passam a consumir tempo estratégico.

Desperdício invisível

Segundo Hygor, esse desperdício costuma ser invisível para o gestor, mas pesa diretamente no caixa. “O empresário enxerga o faturamento crescer, mas não entende por que o lucro não acompanha. O problema raramente está na venda, e quase sempre na execução”, observa.

Como estruturar a operação

O ponto de virada, segundo o especialista, não está em contratar mais gente, mas em organizar o que já existe. “Processo não é burocracia. É clareza. É garantir que o trabalho aconteça da mesma forma, independentemente de quem execute”, afirma.

Para começar a estruturar a operação, Hygor Lima aponta três passos práticos:

  1. Diagnóstico da operação: Identificar onde ocorrem atrasos, retrabalho e dependência excessiva de pessoas-chave. “Se tudo precisa passar pelo dono, já existe um sinal claro de risco operacional”, observa.
  2. Definição de fluxos e responsabilidades: Documentar quem faz o quê, em que ordem e com quais critérios reduz conflitos internos e erros de execução. “Processos bem definidos devolvem tempo ao gestor”, diz.
  3. Treinamento e acompanhamento: Padronizar não basta. É preciso treinar a equipe e acompanhar indicadores básicos para garantir que a execução se mantenha consistente. “Sem acompanhamento, o processo vira papel”, alerta.

Além dos ganhos internos, a organização operacional traz impacto direto na experiência do cliente. Entregas mais previsíveis, comunicação clara e redução de erros fortalecem a reputação da empresa em mercados locais altamente baseados em indicação.

Produtividade não é só eficiência interna. É confiança externa.

— Hygor Lima, especialista em gestão de processos

PXP 2026

Essa discussão tem ganhado espaço em encontros empresariais realizados em Natal, que reúnem gestores para discutir soluções aplicáveis à realidade local, com foco em troca prática de experiências e ajustes possíveis dentro da estrutura atual das empresas.

Um desses movimentos é o PXP 2026, encontro que ocorre nos dias 6 e 7 de março, na capital potiguar, e propõe uma imersão voltada à organização de processos, produtividade e escala operacional em escritórios contábeis. A iniciativa parte de um diagnóstico recorrente observado no setor, no qual o crescimento do volume de clientes não é acompanhado pela maturidade da gestão interna.

Segundo Hygor, a proposta é tratar produtividade como tema estrutural. “Grande parte dos gargalos que vemos hoje não está ligada à falta de demanda, mas à ausência de processos claros, indicadores e delegação estruturada. O PXP nasce para discutir como sair do improviso e construir previsibilidade mesmo em cenários de pressão”, afirma.

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